Filmes por gênero

CONTRASTES HUMANOS (1941)

Sullivan's Travels
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Ficha Técnica

Outros Títulos: A quimera do riso (Portugal)
Les voyages de Sullivan (França)
Les mésaventures de Sullivan (Bélgica)
I dimenticati (Itália)
Los viajes de Sullivan (Espanha)
Sullivans reisen (Austria, Alemanha)
Med tio cents på fickan (Suécia)
Podróze Sullivana (Polônia)
Pais: Estados Unidos
Gênero: Aventura, Comédia, Drama, Romance
Direção: Preston Sturges
Roteiro: Preston Sturges
Produção: Paul Jones, Preston Sturges
Música Original: Charles Bradshaw, Leo Shuken
Direção Musical: Sigmund Krumgold
Fotografia: John F. Seitz
Edição: Stuart Gilmore
Direção de Arte: Hans Dreier, A. Earl Hedrick
Figurino: Edith Head
Guarda-Roupa: Clayton Brackett, Hazel Hegarty
Maquiagem: Wally Westmore
Efeitos Sonoros: Harry D. Mills, Walter Oberst
Efeitos Visuais: Farciot Edouart
Nota: 9.1
Filme Assistido em: 1963

Elenco

Joel McCrea John Lloyd Sullivan
Veronica Lake A Garota
Robert Warwick Sr. Lebrand
William Demarest Sr. Jones
Franklin Pangborn Sr. Casalsis
Porter Hall Sr. Hadrian
Byron Foulger Sr. Johnny Valdelle
Margaret Hayes Secretária
Robert Greig Burroughs, mordomo de Sullivan
Eric Blore Criado especial de Sullivan
Torben Meyer Médico
Victor Potel Cameraman
Richard Webb Radialista
Almira Sessions Ursula Kornheiser
Esther Howard Miz Zeffie Kornheiser
Frank Moran Motorista
Al Bridge Jake
Jan Buckingham Sra. Sullivan
Robert Winkler Bud
George Anderson Ex-Gerente de Sullivan
Willard Robertson Juiz
Preston Sturges Diretor do Estúdio
Chuck Hamilton Repórter
Ray Milland .

Videoclipes

70 anos de cinema

Sinopse

No início dos anos 1940, com os Estados Unidos ainda não saídos inteiramente da Grande Depressão, com milhões de desempregados e famintos, e o mundo em guerra, John Lloyd “Sully” Sullivan, diretor de cinema famosíssimo, milionário, autor de comédias e musicais escapistas que fazem a fortuna do estúdio para o qual trabalha, resolve fazer um drama social sério, profundo, que mostre as mazelas, as injustiças, a miséria de grandes massas.

Como sempre foi um privilegiado, e nunca conheceu nenhum tipo de necessidade, decide abandonar temporariamente a sua atividade de cineasta e, com apenas dez centavos no bolso e roupas de mendigo, jogar-se nos guetos mais miseráveis para experimentar na pele o que é ser pobre e desvalido.

Depois de trabalhar como um empregado para uma viúva, que espera dele mais do que um simples cortador de madeiras, ele foge da casa à noite e pede carona a um caminhoneiro que o leva de volta à Hollywood. Frustrado com o seu fracasso, Sully entra numa lanchonete para comprar uma xícara de café com as últimas moedas que lhe restam. Ao vê-lo, uma jovem e bela atriz, que acaba de ser despejada e sonha com uma oportunidade de trabalho em Hollywood, tem pena dele e decide pagar-lhe um café da manhã completo.

Os dois conversam e ele fica sabendo que, não tendo conhecido ninguém com prestígio na terra do cinema, ela pretende voltar para sua cidade, embora a essa altura já se ache com pouco dinheiro para empreender a viagem. Desejando ajudá-la, ele se diz muito amigo de um famoso diretor de cinema (ele próprio) e que vai conseguir emprestado o carro do amigo para levá-la até sua cidade.

Assim, depois de pegar seu próprio carro, os dois deixam Hollywood. No entanto, ao sentir a falta do veículo, o mordomo de Sully avisa à polícia e guardas rodoviários os prendem na estrada. Uma vez na Delegacia, eles são soltos quando o próprio mordomo reconhece Sully como o legítimo dono do veículo.

Ao deixarem a Delegacia, ele lhe diz que vai deixá-la na Estação para que ela pegue o ônibus de volta para sua casa. Uma vez questionado, ele confessa ser o próprio diretor John Sullivan e que ficaria muito feliz em poder ajudá-la. Ela, então, lhe suplica que a deixe participar desse seu projeto junto aos mais desfavorecidos. Embora relute, a princípio, Sully termina concordando com a ideia. Assim, na manhã seguinte, vestidos de mendigos, os dois embarcam clandestinamente num trem de carga.

Por duas semanas, eles passam a viver como verdadeiros sem-teto, vagando por favelas, enfrentando enormes filas para conseguirem um resto de sopa, ouvindo sermões.

Em Kansas City, Sully declara a missão concluída, o que deixa a garota triste por perdê-lo para Hollywood. Embora se sintam atraídos um pelo outro, ele confessa que sua mulher não abrirá mão de seu casamento de conveniência, arranjado por seu gerente de negócios para reduzir suas contribuições para o imposto de renda.

Naquela noite, após retirar US$ 5.000 em notas de US$ 5, Sully vagueia pela cidade distribuindo o dinheiro com os necessitados que vai encontrando. Num determinado momento, um assaltante o golpeia fortemente, deixando-o inconsciente, arrasta seu corpo até um vagão de carga e foge, em seguida, levando sua identidade e todo o dinheiro que ainda se encontrava com ele. Pouco tempo depois, o criminoso é mortalmente atropelado por um trem ao atravessar uma linha férrea.

No necrotério, por se encontrar completamente desfigurado, o cadáver do assaltante é reconhecido como se fosse o de Sully, face ao documento de identificação encontrado.

Por outro lado, ao acordar no vagão, completamente desnorteado, Sully é abordado por um funcionário da ferrovia, reagindo com bastante violência. Preso por agressão física, ao ser levado à presença de um juiz, ele não tem respostas para as perguntas que lhe são feitas, não se recordando inclusive de seu próprio nome, e termina sendo condenado a seis anos de trabalhos forçados.

Depois de algum tempo comendo o que o diabo amassou, ele tem a oportunidade de ler, num jornal da época em que foi condenado, uma reportagem sobre a sua suposta morte. Surge, então, a ideia de confessar ser ele o responsável pela morte do diretor de cinema John Sullivan, tendo assim a oportunidade de ter sua foto estampada em todos os jornais do País. Como consequência, toda a nação toma conhecimento de que ele se acha vivo e que um grande erro jurídico havia sido cometido.

Uma vez fora da prisão, Sully é recebido com grande entusiasmo pela comunidade hollywoodiana. Para alegria sua e da jovem garota que aspirava tornar-se uma estrela do cinema, sua mulher, considerando-se viúva, havia contraído novas núpcias e, evidentemente, para não se enquadrar em um caso de bigamia, facilitaria seu divórcio.

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Comentários

Escrito, produzido e dirigido pelo cineasta americano Preston Sturges, “Contrastes Humanos” é um extraordinário filme do início dos anos 1940, uma verdadeira joia do cinema americano. Sua trama é um misto de comédia e sátira social no difícil período da Grande Depressão americana. De certa forma, não deixa de ser também uma sátira à própria indústria cinematográfica.

Na direção, Sturges mantém um ritmo perfeito da primeira à última cena, prendendo a atenção do espectador durante toda a projeção.

No elenco, Joel McCrea encarna um diretor de comédias de Hollywood que, num determinado momento, decide dar uma guinada em seu trabalho ao procurar retratar a sofrida vida de milhares de pessoas sem-teto, sem esperanças. Como preparação para tamanho empreendimento, ele próprio resolve abandonar temporariamente sua rotina e, com apenas dez centavos no bolso e roupas de mendigo, sai em busca dos guetos mais miseráveis para experimentar na pele o sofrimento desse segmento da população. Sua atuação é digna de um Oscar que, infelizmente, não ocorreu. Sua química com a bela e jovem Veronica Lake, na época com apenas 19 anos, salta aos olhos do espectador.

Enfim, “Contrastes Humanos”, embora não seja um filme premiado, é imperdível.

CAA