Filmes por gênero

VIRIDIANA (1961)

Viridiana
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Ficha Técnica

Pais: Espanha, México
Gênero: Drama
Direção: Luis Buñuel
Roteiro: Luis Buñuel, Julio Alejandro
Produção: Gustavo Alatriste
Design Produção: Francisco Canet
Música Original: Gustavo Pittaluga
Fotografia: José Aguayo
Edição: Pedro del Rey
Efeitos Sonoros: Aurelio García Tijeras
Nota: 9.2
Filme Assistido em: 2007

Elenco

Silvia Pinal Viridiana
Francisco Rabal Jorge
Fernando Rey Don Jaime
Rosita Yarza Madre Superiora
José Calvo Mendigo
Margarita Lozano Ramona
Victoria Zinny Lucia
Teresa Rabal Rita
Luis Heredia Manuel 'El Poca'
Joaquín Roa Señor Zequiel
Lola Gaos Enedina
Juan García Tiendra José, o leproso
José María Lado Prefeito
Sergio Mendizábal El Pelón
Francisco René Moncho
José Manuel Martín Mendigo
Maria Isbert Mendiga
Alicia Jorge Barriga Mendiga
Sergio Mendizábal Mendigo

Prêmios

Festival Internacional de Cannes, França

Prêmio Palma de Ouro (Luis Buñuel)

Videoclipes

70 anos de cinema

Sinopse

Pouco antes de fazer os votos perpétuos e se tornar freira, a noviça Viridiana é procurada pela Madre Superiora do Convento no qual vive, que lhe aconselha a fazer uma última visita ao seu tio e tutor, Don Jaime, um abastado viúvo que mora na zona rural de uma cidade próxima.

Uma vez lá, ela encontra um homem, de meia-idade, marcado pelo sofrimento de ter perdido a mulher em plena noite de núpcias.  À noite, sozinho, ele costuma abrir um baú, onde se acha o enxoval da mulher, passando horas a contemplar cada uma de suas peças.

A incrível semelhança entre Viridiana e sua falecida mulher o perturba e, ao mesmo tempo, faz com que ele queira tê-la por perto.  Na véspera da noviça retornar ao convento, o perturbado Don Jaime fica inconsolável com a idéia de sua partida.  Ao vê-la, pede-lhe que, antes de viajar, use o vestido de noiva que se encontra no baú.  Não vendo mal em atender a esse capricho do tio, a jovem o atende.  Entretanto, ao admirá-la de branco, usando o tal vestido, ele lhe suplica que não retorne ao convento e que seja sua mulher.  Assustada, ela reage à idéia.  O agora obcecado Don Jaime, com a ajuda de sua antiga e fiel empregada, Ramona, faz com Viridiana tome uma xícara de café com uma boa dose de soníferos.  Quando a jovem cai num sono profundo, ele a pega nos braços e a leva para seu quarto.  Lá, a beija com paixão e tenta tirar seu vestido, mas termina desistindo do que seria um estupro.

Na manhã seguinte, ao acordar, Viridiana pede explicações sobre o ocorrido na noite anterior, ocasião em que, num derradeiro esforço para evitar a volta da jovem para o convento, Don Jaime lhe diz que a possuiu durante seu sono profundo.  A reação da noviça é ainda maior.  Constatando que a estratégia usada foi um erro, ele confessa não ser verdade o que acabara de proferir.  Abalada, a jovem pega sua maleta e vai embora.  Não conseguindo realizar seus propósitos, Don Jaime enforca-se pendurado numa árvore.

No momento de embarcar num trem de volta ao convento, Viridiana é avisada sobre o ocorrido e volta à propriedade do tio.  A tragédia provoca um enorme sentimento de culpa na jovem, que abandona sua vida de religiosa para dedicar-se a uma obra de caridade cristã.  Assim, transforma um anexo ao prédio principal da fazenda, num albergue para acolher pobres e mendigos.

Com a morte de Don Jaime, seu filho bastardo, Jorge, chega ao casarão com a intenção de tocar pra frente os negócios da família.  Em sua companhia, chega também sua amante, a qual, pouco tempo depois, decide ir embora por achar que ele se acha interessado na prima Viridiana.  Jorge, entretanto, torna-se amante de Ramona, a governanta.

Certa noite, quando Jorge, Ramona e Viridiana saem, os mendigos, traindo a confiança neles depositada, entram na casa principal e promovem um verdadeiro bacanal, estragando inclusive os caríssimos cristais, louças e toalhas da família.

Ao voltarem da cidade, encontram todos fora de si, embriagados.  Jorge é por alguns amarrado, enquanto um deles tenta estuprar Viridiana.  Ramona consegue fugir, indo em busca das autoridades.  Diante da situação, Jorge oferece uma grande quantia em dinheiro, a um dos mendigos, para que ele mate aquele que luta contra a jovem, livrando-a assim de seu agressor.

Abalada pelos acontecimentos, Viridiana sente-se desmotivada em relação aos seus propósitos de dedicar sua vida à caridade cristã.  Assim, junta-se a Jorge e Ramona em torno de uma mesa para uma partida de tute, um jogo de cartas tipicamente espanhol.

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Comentários

"Viridiana" é um dos clássicos do gênero surrealista.  Realizado pelo famoso cineasta aragonês, Luis Buñuel, que participou ativamente da elaboração do roteiro, o filme foi censurado, tanto pelo Vaticano quanto pelo governo espanhol, por apresentar, de forma irreverente, críticas ao cristianismo e à sociedade espanhola, em especial à classe burguesa.

O excelente trabalho de direção de Buñuel é realçado pela bela fotografia de  José Aguayo e pelas magníficas atuações de Fernando Rey e Silvia Pinal.

O cineasta utiliza-se de um grande número de simbolismos, muitos de forma blasfema, o que deu origem a severas críticas ao seu trabalho.  Entre os símbolos utilizados, há um crucifixo que, a exemplo de certos canivetes com múltiplas funções, abre-se nas mãos de Jorge e se transforma numa arma branca, toda vez que ele pensa em Viridiana;  uma coroa de espinhos é jogada ao fogo, quando a noviça renuncia à sua vida religiosa.  Há, ainda, uma reprodução grotesca da "Última Ceia", de Leonardo Da Vinci, onde os apóstolos acham-se representados pelos mendigos ensandecidos, pouco antes deles transformarem o ambiente numa verdadeira orgia.  Há quem faça um paralelo entre a traição de Judas, conforme a Bíblia, e a desses sem-tetos em relação à sua benfeitora.  Para mim, no entanto, são dois episódios incomparáveis, a começar pelo fato da traição de Judas ter sido um ato isolado, enquanto aqui todos se envolvem, homens e mulheres, numa ação de vandalismo e luxúria, culminando com uma tentativa de estupro.

CAA