Filmes por gênero

O ECLIPSE (1962)

L'eclisse
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Ficha Técnica

Outros Títulos: L'éclipse (França)
El eclipse (Espanha, Argentina, México)
Liebe 1962 (Alemanha)
The eclipse (USA/UK)
Eclypse (Holanda)
Ukendte nætter (Dinamarca)
Feber (Suécia)
Zacmienie (Polônia)
Pais: Itália, França
Gênero: Drama
Direção: Michelangelo Antonioni
Roteiro: Michelangelo Antonioni, Tonino Guerra
Produção: Robert Hakim, Raymond Hakim
Design Produção: Piero Poletto
Música Original: Giovanni Fusco
Fotografia: Gianni Di Venanzo
Edição: Eraldo Da Roma
Direção de Arte: Piero Poletto
Figurino: Bice Brichetto, Gitt Magrini
Guarda-Roupa: Gitt Magrini
Maquiagem: Franco Freda
Efeitos Sonoros: Claudio Maielli, Renato Cadueri, Mario Bramonti
Nota: 9.1
Filme Assistido em: 1964

Elenco

Alain Delon Piero
Monica Vitti Vittoria
Francisco Rabal Riccardo
Lilla Brignone Mãe de Vittoria
Rossana Rory Anita
Mirella Ricciardi Marta
Louis Seigner Ercoli
Cyrus Elias Homem bêbado que rouba o carro de Piero

Prêmios

Festival Internacional de Cannes, França

Prêmio Especial do Júri (Michelangelo Antonioni)

Indicações

Festival Internacional de Cannes, França

Prêmio Palma de Ouro (Michelangelo Antonioni)

Sindicato dos Jornalistas Críticos de Cinema, Itália

Prêmio Fita de Prata de Melhor Direção (Michelangelo Antonioni)

Prêmio Fita de Prata de Melhor Atriz (Monica Vitti)

Prêmio Fita de Prata de Melhor Atriz Coadjuvante (Lilla Brignone)

Videoclipes

70 anos de cinema

Sinopse

Depois de passarem a noite discutindo o fim de um relacionamento de três anos, e chegado a um ponto onde nada mais pode ser dito ou feito, Vittoria e Riccardo acham-se emocionalmente exaustos.  Riccardo ainda tenta salvar a relação, mas ela está segura de que o amor deles chegou ao fim.  Vittoria sai e, caminhando, dirige-se ao seu próprio apartamento.

Ainda sem descançar, ela vai até a Bolsa de Valores à procura da mãe, a fim de abrir seu coração para ela, mas esta, preocupada em realizar negócios especulativos, não lhe dá maior atenção.  Na ocasião, ela é apresentada a Piero, um corretor da Bolsa.

À noite, Vittoria conversa com sua vizinha, Anita, quando o telefone toca.  É Marta, que mora defronte, convidando-as para irem ao apartamento dela.  O apartamento de Marta é decorado com enormes fotografias de paisagens africanas, com rifles de caça, troféus e artefatos nativos.  Marta nasceu e cresceu no Quênia.  Quando ela põe um disco com a música exótica africana, Vittoria experimenta uma grande sensação de liberdade, pinta-se de negro e começa a dançar como se estivesse participando de algum ritual africano.  Na mesma noite, de volta ao seu apartamento, Riccardo vai até lá, mas ela não o recebe.

No dia seguinte, Vittoria acompanha Anita e o marido desta, um piloto, em uma viagem de negócios em seu monomotor, à Verona.  Vittoria admira as vistas aéreas, a travessia de nuvens e, ao longe, os Alpes.  De volta à Roma, ela procura mais uma vez pela mãe na Bolsa de Valores.  Ela chega exatamente no momento em que o mercado sofre uma enorme queda.  O local se encontra um verdadeiro pandemônio de gritos, correrias, choros, telefonemas, pequenos investidores, inclusive sua mãe, completamente histéricos ao realizarem suas perdas.  Mais uma vez, não consegue ter uma conversa com ela.

À noite, quando Vittoria está trabalhando como tradutora, em seu apartamento, Piero chega em seu Alfa-Romeo conversível.  Da calçada, ele lhe pede para entrar, mas ela não concorda.  Nesse meio tempo, um bêbado entra no conversível e sai em disparada.  Piero vai à Delegacia de Polícia mais próxima.  Na manhã seguinte, o carro é guinchado de um pequeno lago.  Vittoria junta-se a Piero, a quem diz que ficou contente por ele lhe ter telefonado.

Os dois saem à pé em direção ao apartamento de Vittoria.  No meio do caminho, ele a beija, mas ela o afasta delicadamente e continua sozinha a caminhada.  À noite, ela tenta várias vezes falar com ele por telefone, mas a linha está sempre ocupada.  Persistente, ela consegue finalmente a linha mas, quando ele atende, ela não diz uma única palavra.

Dias depois, os dois voltam a se encontrar, ocasião em que ele a leva a um antigo apartamento da família, localizado na zona histórica de Roma, que ele usa apenas para encontros amorosos.  Vittoria se mostra confusa em relação a um relacionamento com Piero porque, embora se trate de um jovem bastante atraente, ela nota quão diferentes eles são.  Quando ele lhe fala em casamento, ela lhe diz que gostaria de não amá-lo ou de amá-lo muito mais do que o ama.

Passam-se alguns dias até que os dois fazem amor numa poltrona do escritório dele, fechado para a hora do almoço.  Eles se mostram apaixonados e relaxados.  Na hora de Vittoria sair, eles marcam um encontro para a noite, na esquina próxima ao apartamento dela.  Na realidade, eles concordam em se encontrar, também, no dia seguinte, no que se seguir a ele, para sempre.  Embora haja uma certa ansiedade e dúvida no comportamento de Vittoria, tudo indica que o casal finalmente conseguiu um final-feliz para suas vidas.

À noite, nenhum dos dois comparece ao encontro, conforme combinado...

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Comentários

Embora inferior ao "A Noite", de 1961, "O Eclipse" é mais um excelente filme do grande cineasta italiano, Michelangelo Antonioni.

Como sempre, Antonioni aborda questões socio-políticas, procurando mostrar o indivíduo esmagado pelas pressões, responsabilidades e complexidade do mundo moderno.  Há uma seqüência em que Vittoria comenta as diferenças entre a vida nas sociedades avançadas e nas menos avançadas.  O cineasta procura, ainda, mostrar a ambição do mundo capitalista, ao retratar tão bem o ambiente caótico na Bolsa de Valores de Roma e a obsessão pelo jogo vivida pela mãe de Vittoria.

Além do magnífico trabalho de Antonioni, o filme é maravilhosamente fotografado pelas lentes de Gianni Di Venanzo.

Juntamente com "A Aventura" e "A Noite", "O Eclipse" forma a trilogia da incomunicabilidade de Antonioni, na qual o cineasta procura analisar o tédio e a solidão do homem moderno.  A atriz italiana Monica Vitti está presente em todos os três filmes.  Ela está perfeita em "O Eclipse".  Muitas vezes, sem abrir a boca, consegue transmitir toda a carga de emoções exigida de seu personagem.  Talvez este seja seu melhor filme.

O filme é repleto de seqüências maravilhosas como aquelas em que nenhuma palavra é pronunciada, ou aquelas passadas no apartamento de Marta, nas quais Vittoria dança alucinadamente, ou ainda as rodadas durante os pregões da Bolsa de Valores.

CAA