Filmes por gênero

GABRIELA, CRAVO E CANELA (1983)

imagem

Ficha Técnica

Outros Títulos: Gabriela (Portugal, USA, Itália, Alemanha)
Габриела (Bulgária)
Pais: Brasil
Gênero: Comédia, Drama, Romance
Direção: Bruno Barreto
Roteiro: Bruno Barreto, Leopoldo Serran, Flávio R. Tambellini
Produção: Ibrahim Moussa, Harold Nebenzal
Design Produção: José Joaquim Salles
Música Original: Antônio Carlos Jobim
Direção Musical: David Franco
Coreografia: Cláudio Tovar
Fotografia: Carlo Di Palma
Edição: Emmanuelle Castro
Direção de Arte: Hélio Eichbauer
Figurino: Diana Eichbauer
Guarda-Roupa: Celia Menezes, Maria Augusta Teixeira
Maquiagem: Giuseppe Banchelli, Guilherme Pereira
Efeitos Sonoros: Jean-Claude Laureux, Giorgio Fabianelli, Gilles Ortion, Fernando Caso
Nota: 7.7
Filme Assistido em: 1984

Elenco

Sônia Braga Gabriela
Marcello Mastroianni Nacib Saad
Antônio Cantafora Tonico Bastos
Paulo Goulart João Fulgêncio
Ricardo Petraglia Professor Josué
Lutero Luiz Coronel Manoel das Onças
Tânia Bôscoli Glória
Nicole Puzzi Malvina
Flávio Galvão Mundinho Falcão
Jofre Soares Coronel Ramiro Bastos
Maurício do Valle Coronel Amâncio Leal
Ivan Mesquita Coronel Melk Tavares
Luiz Linhares Coronel Jesuíno Mendonça
Nildo Parente Maurício Caires
Emile Edde Poeta Argileu
Antônio Pedro Doutor
Nelson Xavier Capitão
Nuno Leal Maia Engenheiro Rômulo
Laura Vasconcellos Amiga Malvina
Cláudia Jimenez D. Olga
Chico Diaz Chico Moleza
Chico Santos Padre Basílio
Míriam Pires Mãe Malvina
Lídia Maria Pia Anabela
Márcia Brito Bataclete
Tereza Mascarenhas Bataclete
Mônica Torres Bataclete

Videoclipes

70 anos de cinema

Sinopse

Bahia, 1925.  Na progressista Ilhéus, a capital do cacau, vivia Nacib, sírio, naturalizado brasileiro, que aqui estava desde os quatro anos de idade.  Dono do Bar Vesúvio e ilheense de coração, não se lembrava de nada de seu país.  Numa manhã, foi acordado por Filomena, sua cozinheira.  Meio atordoado entendeu que ela estava indo embora.

Repentinamente, Nacib se viu sem cozinheira, exatamente, um dia antes do jantar para trinta pessoas, que seria dado no Vesúvio.  Aceitando uma sugestão do professor Josué, foi ao "Mercado de Escravos", onde se instalara uma leva de retirantes flagelados da seca que assolava o país.  Lá, encontrou uma jovem mulher de pés descalços e cabelos desgrenhados que dizia chamar-se Gabriela e que sabia fazer de tudo.  Mesmo achando que não era verdade, Nacib levou-a consigo, para experimentar o seu serviço.  Quando chegaram em casa, mostrou-lhe os aposentos e o quarto onde ela ficaria.  Antes de sair, mandou que tomasse um bom banho; iria ao bar e depois acabaria a noite no Bataclan, onde estava de xodó com Risoleta.    

Para surpresa de Nacib, Gabriela revelou-se competentíssima no forno, fogão e arrumação de casa.  Além disso, era uma bela morena com lábios de pitanga.  Logo, a moça se inteirou de tudo, conseguindo tempo até para levar o almoço do patrão e ajudá-lo no bar, enquanto este almoçava.

Os Bastos comandavam o destino político de Ilhéus há mais de vinte anos.  O velho coronel Ramiro Bastos não via com bons olhos a liderança do rico forasteiro, Mundinho Falcão.        Mundinho, cuja família era importante nos meios políticos do sul, tinha um irmão deputado e parentes na diplomacia.  Para ele, as necessidades dos coronéis não mais correspondiam com as necessidades da cidade em rápido progresso.  O Capitão, cuja família sempre se opôs aos Bastos, via no jovem exportador uma pessoa com condições de fazer frente ao poder do coronel Ramiro. Mundinho gostou da idéia e se colocou em campanha política.    

No Bar Vesúvio, os homens estavam todos de olho em Gabriela.  Nacib não sabia por quanto tempo ela resistiria a tão boas ofertas e isso o afligia.  Ele não queria perdê-la.  Desde o segundo dia em sua casa, dormiam juntos à noite.  Nacib não ia mais ao Bataclan.

Gabriela vivia sendo paquerada pelos freqüentadores do Vesúvio.  O único a tratá-la com certa distância, como uma senhora respeitável, era o filho do coronel Ramiro, Tonico Bastos.  Casado com Olga, era tido como mulherengo e conquistador.  Todos os dias, após o almoço, Tonico parava no bar para um digestivo.  Nessas ocasiões, Nacib confidenciava-lhe suas agruras afetivas. Achava que a solução era se casar com Gabriela.  Assim, ela não viria mais ao bar.

O casamento trouxe uma série de proibições para Gabriela.  Como o tempero de Gabriela estava fazendo sucesso, Mundinho propusera a abertura de um restaurante em sociedade com o árabe, que aceitou prontamente.  Nacib começou a notar que Gabriela não o esperava mais com o ardor inicial.  Uma tarde, na hora do trago de Tonico, queixou-se ao seu antigo confidente, padrinho também do casamento.

A desavença com um dos seus funcionários, levou Nacib a descobrir que Gabriela o traía com Tonico.  Este se enfiava na casa de Nacib, logo após o digestivo da tarde.  Em confissão, outro ajudante, Chico Moleza, confirmou que Tonico era o mais recente, pois, tinha havido outros e desfiou nomes.  No dia seguinte, após o trago da tarde, Tonico saiu.  Nacib esperou um quarto de hora e foi para casa, flagrando os dois na cama.  Mesmo com o revólver na mão, não os conseguiu matar.  Surrou Gabriela até marcá-la.

Em seguida, conseguiu a anulação do casamento.  Gabriela passou a morar na casa de D. Arminda e a costurar para um florescente atelier.

Para Nacib, aparentemente, tudo voltara ao normal.  Os fregueses lá estavam, jogando, rindo, bebendo aperitivos antes do almoço e do jantar.  Já não cercava D. Arminda para saber de Gabriela, ouvir notícias das propostas recebidas e recusadas por ela.  Sentia muita falta, sim, do seu tempero e quitutes.  No Vesúvio, não havia tanto consumo como no tempo de Gabriela.  A cozinheira, que mandara vir de Sergipe, não ia além do trivial.

Quanto ao Restaurante do Comércio, Mundinho mandara vir um cozinheiro de Salvador, Fernand, chef de cuisine.  Gabriela viu, na presença desse cozinheiro, uma ameaça: nunca mais voltaria a trabalhar para o seu Nacib.  Infeliz, procurou auxílio no terreiro de Sete Volta.  Na véspera da inauguração do restaurante, Fernand desapareceu.

Na tentativa de solucionar o problema, D. Arminda sugeriu, mais uma vez, Gabriela, que até então não tinha sido aceito por Nacib.  Ao ouvir o nome da cozinheira, João Fulgêncio disse que ali estava a solução e explicou a Nacib, que a relação anterior com ela já era coisa do passado.  No dia seguinte, o restaurante foi inaugurado.  Para a felicidade geral, Gabriela tinha voltado, mas o restaurante era um fracasso em termos de clientela.  Todavia, suas mesas se deram muito bem para a jogatina que ali ocorria todas as noites.

Gabriela voltara a ser a mulher livre e feliz de outrora.  Ria e folgava, mas às onze horas estava de volta em casa para esperar seu Nacib que, por sua vez, quando não havia nada interessante no cabaré, voltava aos braços ardentes de sua cozinheira, não existindo nada igual.

imagem imagem

Comentários

Baseada no livro 'Gabriela, Cravo e Canela' do escritor Jorge Amado, "Gabriela" é uma gostosa comédia de costumes / drama, realizada pelo cineasta Bruno Barreto.

O filme é bastante envolvente, muito embora às vezes o seu ritmo deixe a desejar.  Entre seus pontos fortes, acham-se a bela fotografia do italiano Carlo Di Palma e a maravilhosa trilha sonora de Tom Jobim.

O grande astro do cinema italiano, Marcello Mastroianni, convence no papel do sírio Nacib.  Sônia Braga, com sua beleza brejeira, esbanja sensualidade.  Sua atuação no papel título é tão marcante que fica difícil a gente imaginar Gabriela sendo interpretada por outra atriz.  O elenco coadjuvante é de primeiríssima linha, formado por grandes astros da televisão e do cinema brasileiros.

CAA