Filmes por gênero

OS INCOMPREENDIDOS (1959)

Les 400 coups
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Ficha Técnica

Outros Títulos: Os quatrocentos golpes (Portugal)
The 400 blows (USA, UK)
I quattrocento colpi (Itália)
Los 400 golpes (Espanha, México, Argentina)
Sie küßten und sie schlugen ihn (Alemanha)
De 400 slagen (Suécia)
De vierhonderd slagen (Holanda)
Ung flugt (Dinamarca)
Pais: França
Gênero: Drama, Crime
Direção: François Truffaut
Roteiro: François Truffaut
Produção: François Truffaut
Música Original: Jean Constantin
Fotografia: Henri Decaë
Edição: Marie-Josèphe Yoyotte
Efeitos Sonoros: Jean-Claude Marchetti, Jean Labussière
Nota: 9.4
Filme Assistido em: 2001

Elenco

Jean-Pierre Léaud Antoine Doinel
Claire Maurier Gilberte Doinel, a mãe
Albert Rémy Julien Doinel
Guy Decomble "Petite Feuille", o Prof. de Francês
Georges Flamant Sr. Bigey
Patrick Auffray René
Daniel Couturier Betrand Mauricet
Robert Beauvais Bouchon Diretor da Escola
Pierre Repp O professor de inglês
Jeanne Moreau Mulher com o cachorro
Yvonne Claudie Sra. Bigey
Jean Douchet O amante
Henri Virlojeux Vigia
Jacques Demy Policial
François Nocher Garoto
Michel Girard Garoto
Bernard Abbou Garoto
Jean-François Bergouignan Garoto
Michel Lesignor Garoto
François Truffaut Homem no Parque de Diversões

Prêmios

Prêmios Bodil - Copenhague, Dinamarca

Bodil de Melhor Filme Europeu (François Truffaut)

Festival Internacional de Cannes, França

Prêmio de Melhor Direção (François Truffaut)

Prêmio OCIC (François Truffaut)

Sindicato Francês dos Críticos de Cinema, França

Prêmio de Melhor Filme (François Truffaut)

Prêmios Sant Jordi de Barcelona

Prêmio de Melhor Diretor Estrangeiro (François Truffaut)

Círculo dos Críticos de Cinema de Nova York, EUA

Prêmio de Melhor Filme Estrangeiro

Indicações

Academia Britânica de Cinema e Televisão, Inglaterra

Prêmio de Melhor Revelação Masculina (Jean-Pierre Léaud)

Prêmio de Melhor Filme (François Truffaut)

Festival Internacional de Cannes, França

Prêmio Palma de Ouro (François Truffaut)

Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood, EUA

Oscar de Melhor Roteiro Original (François Truffaut, Marcel Moussy )

Videoclipes

70 anos de cinema

Sinopse

Numa classe, meninos de uns treze anos de idade fazem circular a foto de uma garota de folhinha bem na hora da prova.  Quando chega a vez de Antoine Doinel, ele é apanhado pelo mestre e fica de castigo, atrás do quadro-negro.  Impedido de sair para o recreio, Antoine rabisca sua queixa na parede e torna a ser castigado: vai voltar para casa levando uma série de verbos para conjugar e a promessa de se vingar de Mauricet, o colega que o delatou.  Depois da aula, solidariza-se com seu melhor amigo, René, e vai para casa.

No apartamento acanhado, vazio, Antoine surrupia uns trocados escondidos, depois cumpre suas tarefas domésticas.  Dá uma espiada no quarto dos pais, antes de sentar-se para conjugar os verbos.  Pouco depois a mãe, Gilberte, chega em casa e fica brava porque ele se esqueceu de comprar a farinha que ela pedira.  Antoine sai para comprar a farinha e volta com o pai, Julien, um homem afável, que acaba de adquirir um novo farol de neblina para seu carro.  Gilberte exige o troco da compra, mas Antoine consegue um dinheirinho com o pai.  Após o jantar, escuta Gilberte e Julien falando em mandá-lo para o acampamento, no verão.  Depois, Julien convida a mulher para ir com ele na excursão do clube automobilístico do qual é sócio, no domingo seguinte, mas ela dá uma desculpa.  Ele faz troça de seu "método de toque" em datilografia e ela revida bravíssima, dizendo que o marido está sempre fazendo piadas e que é um fracasso no emprego.

Preocupado, sem saber como vai enfrentar o mestre, já que não conseguiu terminar o dever de casa, Antoine sai para a escola, mas encontra René, que o convence a não ir à aula.  Os garotos escondem a mala e tiram o dia para se divertir - vão ao cinema, ao fliperama, ao parque de diversões.  Na volta para casa, pegam Gilberte beijando um outro homem.  Chegam à conclusão de que ela não dirá nada a respeito de Antoine ter faltado à aula por causa da própria situação.  Mas acabam sendo vistos pelo cê-dê-efe Mauricet, quando vão pegar as malas.  René oferece seu bilhete justificando a falta para que Antoine copie, com a letra da mãe, mas, antes que consiga fazê-lo, o pai chega em casa.

Julien diz que Gilberte vai trabalhar até mais tarde e que, portanto, os dois estarão solteiros aquela noite.  Fazem ovos juntos e Julien pergunta a Antoine como vai a escola.  Mais tarde, na cama espremida no vestíbulo do apartamento, Antoine finge dormir quando percebe a mãe chegando.  Escuta os pais discutindo porque ela ficou até tarde com o patrão, porque Antoine mentiu e também fica sabendo que não é filho de Julien.

De manhã, depois que Antoine sai para a escola, Mauricet vai até a casa dos Doinel para contar que o menino não fora à aula no dia anterior.  René e Antoine trocam idéias sobre possíveis desculpas ao mestre e concluem que "quanto maior, melhor". Antoine diz então que a mãe morreu e o professor se compadece.  Mas quando os pais dele aparecem na sala de aula, ele leva um tapa e é avisado de que será castigado à noite.  Certo de que não poderá mais voltar para casa, Antoine planeja passar a noite na rua, mas René tem um lugar melhor: a gráfica do tio.  Julien lê um bilhete de Antoine, dizendo que não voltará para casa, enquanto Gilberte se pergunta por que o filho escolheu a ela para matar, na desculpa dada à escola.  Ela também reconhece que o menino a irrita.

Sozinho na rua, tarde da noite, Antoine passa em frente a enfeites de Natal, escapa por um triz de ser descoberto na gráfica e finalmente rouba uma garrafa de leite, que engole faminto.  De manhã, Antoine volta à escola e é chamado à diretoria.  A mãe o abraça e pergunta onde passou a noite.  Em casa, depois de lhe dar um banho, Gilberte põe o menino em sua própria cama, para dormir um pouco, e tenta fazê-lo abrir-se com ela.  Na verdade, o que a preocupa é o bilhete em que Antoine diz que explicaria tudo.  Quando ele responde que se trata do próprio comportamento, ela sossega e faz um trato: se ele tirar uma boa nota em francês, ela lhe dará um dinheiro, mas ninguém dirá nada ao pai.

Quando o professor de ginástica sai para dar uma corrida com os meninos, eles vão desertando da fila até sobrarem apenas dois.  Sozinho em casa, Antoine lê Balzac e põe um retrato do escritor na estante da parede. Na escola, o professor manda os alunos escreverem sobre um acontecimento importante na vida deles e Antoine acende uma vela no seu pequeno santuário a Balzac; durante o jantar, a família sente o cheiro de fumaça e descobre que a estante está pegando fogo.  Gilberte defende Antoine e eles decidem ir todos juntos ao cinema.  Divertem-se e voltam para casa felizes.

Entretanto, no dia seguinte, na escola, Antoine é acusado de plagiar Balzac na redação de francês e é mandado embora.  René também é expulso.  Antoine tem certeza de que será condenado a uma academia militar se voltar para casa. Reconhece que a Marinha não seria ruim de todo, porque sempre teve vontade de ver o mar.  René o convida para ficar em sua casa.  Antoine se espanta com o imenso e estranho apartamento, depois observa atônito, René roubar um dinheiro para os dois saírem.  René janta sozinho com o pai, adianta o relógio, depois pega o que restou da comida, quando o pai sai, apressado.  Antoine pega a comida e os dois vão ao cinema.  Depois do filme, eles roubam uma foto do filme, surrupiam uns trocados de um banheiro e roubam um relógio.

No dia seguinte, juntos com um menino pequeno, vão a um espetáculo de marionetes. Enquanto as crianças menores se divertem, os dois garotos fazem planos de como arranjar o dinheiro que Antoine precisará para sobreviver escondido.  Decidem roubar uma máquina de escrever do escritório de Julien e penhorá-la.  Antoine entra no escritório e sai com a máquina sem maiores problemas, embora carregar o objeto pesado pelas ruas e no metrô não seja nada fácil.  Finalmente, encontram um sujeito suspeito que diz que vai pôr a máquina no prego para eles, mas o sujeito some.  Recuperam a máquina quando aparece um policial e concluem que não vão conseguir vendê-la.  Com medo de que o pai descubra a autoria do furto, Antoine decide devolvê-la ao escritório, usando um chapéu para não ser reconhecido.

Mas o vigia noturno o pega devolvendo a máquina e chama Julien.  O pai leva Antoine para a polícia e diz que ele e a mulher tentaram de tudo; desiste de Antoine.  O menino é preso, fotografado, tiram suas impressões digitais e depois o trancafiam numa cela, junto com um homem.  Depois de entrar num furgão de presos adultos, Antoine vê Paris ir sumindo aos poucos, pelas grades da janela.  Gilberte conta a um juiz sobre a vida doméstica de Antoine e fica decidido que ele deve ir para um centro de observação durante um tempo.  Nesse centro, Antoine é entrevistado por uma psicóloga e explica por que levou a máquina de escrever de volta e conta como roubou dinheiro da avó.

Quando chega o dia de visitas, Antoine fica animado ao ver René, mas não permitem que os dois se falem.  A mãe lhe faz uma visita e censura o filho pela carta "pessoal" que o menino enviara ao pai.  Ela lhe diz que Julien não está mais interessado nele.  E prevê que Antoine vai acabar no reformatório.  Durante um jogo de futebol, Antoine consegue escapar.  Corre sem parar até chegar finalmente à praia.  Entra no mar e depois se vira para a terra, com uma fisionomia vazia, perdida.

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Comentários

"Os Incompreendidos" é um excelente filme e um dos marcos da "nouvelle vague" francesa.  Dirigido e produzido pelo grande cineasta François Truffaut, que também co-escreveu o roteiro, o filme conta o destino de um adolescente em período de crise.  Em "Os Incompreendidos", o modelo paternal não existe.  Na casa de Antoine, é a mãe que toma as decisões, ficando a autoridade paterna excluída.  Na casa de René, a autoridade paterna também não existe.  Os adultos parecem egoístas, indiferentes, violentos, fracos e incapazes de responderem às necessidades dos jovens.  Em "Os Incompreendidos", reconhece-se Truffaut no personagem de Antoine, já que ele teve também uma infância difícil ao lado da mãe e do padrasto.

Com a magnífica direção de Truffaut e, fotografado em preto e branco, o filme conta ainda com a ótima atuação de Jean-Pierre Léaud, na época com apenas 15 anos de idade.

CAA