Filmes por gênero

A TRAPAÇA (1955)

Il bidone
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Ficha Técnica

Outros Títulos: O conto do vigário (Portugal)
The swindle (Estados Unidos)
Alma sin conciencia (Espanha)
Die schwindler (Alemanha, Austria)
El cuentero (Argentina)
Skurken (Suécia)
Niebieski ptak (Polônia)
Измамата (Bulgária)
Pais: Itália, França
Gênero: Comédia, Drama
Direção: Federico Fellini
Roteiro: Federico Fellini, Ennio Flaiano, Tullio Pinelli
Produção: Mario Derecchi
Design Produção: Dario Cecchi
Música Original: Nino Rota
Direção Musical: Franco Ferrara
Fotografia: Otello Martelli
Edição: Mario Serandrei, Giuseppe Vari
Figurino: Dario Cecchi
Maquiagem: Eligio Trani
Efeitos Sonoros: Giovanni Rossi
Nota: 8.3
Filme Assistido em: 1964

Elenco

Broderick Crawford Augusto
Giulietta Masina Iris
Richard Basehart Carlo / Picasso
Franco Fabrizi Roberto
Sue Ellen Blake Anna
Irene Cefaro Marisa
Alberto De Amicis Rinaldo
Lorella De Luca Patrizia
Giacomo Gabrielli Barão Vargas
Riccardo Garrone Riccardo
Xenia Valderi Luciana
Mara Werlen Maggie
Maria Zanoli Stella Fiorina
Emilio Manfredi .
Lucetta Muratori .
Mario Passante .
Sara Simoni .
Ettore Bevilacqua .
Ada Colangeli .
Tiziano Cortini .

Indicações

Festival Internacional de Veneza, Itália

Prêmio Leão de Ouro (Federico Fellini)

Videoclipes

70 anos de cinema

Sinopse

Itália, anos 50 - Três trapaceiros vivem a aplicar pequenos golpes, aproveitando-se da ingenuidade das pessoas simples.  O líder, Augusto, é um homem de meia-idade.  Seus companheiros, mais novos, são Carlo, cujo apelido é Picasso, por querer tornar-se pintor, e Roberto, que deseja tornar-se o Johnny Ray italiano e levar uma boa vida.

Num de seus golpes, eles chegam a uma pequena propriedade rural onde vivem duas irmãs.  Augusto apresenta-se como sendo Monsenhor De Filippis, um enviado de Roma, Picasso como Padre Pedro e Roberto como seu motorista.  À Stella Fiorino, uma das irmãs, ele fala que um senhor, no leito de morte, confessou-lhe que, anos atrás, teria assassinado um colega que o ajudara a roubar um pequeno baú cheio de jóias.  Na ocasião, enterrara o cadáver e as jóias ao lado de uma enorme árvore daquela propriedade.  O tempo passou e ele nunca teve a oportunidade de reaver o tal baú.  Continuando, Augusto diz que está ali para resgatar a ossada a fim de sepultá-la num Campo Santo.  Quanto ao baú de jóias, o moribundo teria dito que o mesmo poderia ficar para as proprietárias da terra, desde que elas estivessem dispostas a arcar com a quantia de 500.000 liras para a celebração de 500 missas em intenção de sua alma.  Todos vão ao local descrito num papel, onde, após feitas as escavações, localizam a ossada e o baú previamente enterrados pelo grupo de vigaristas.  Acreditando que as falsas jóias valham em torno de cinco milhões de liras, as irmãs entregam aos falsos religiosos todo o dinheiro que possuem, 400.000 liras.

Num outro golpe, eles vão a um subúrbio de Roma, onde se apresentam como membros do governo. Aos moradores, Augusto, que se diz Comendador, informa que todos os que se inscreveram, anos atrás, para adquirir uma casa popular, estarão recebendo seus imóveis dentro de poucas semanas, desde que assinem o contrato que se acha com ele e paguem de 8.000 a 10.000 liras, a título de 1ª prestação, dependendo do número de quartos considerados quando da inscrição.  Uma enorme fila se faz, com os interessados a pagar a quantia estipulada.

Certo dia, Augusto encontra-se com sua filha adolescente, Patrizia, que mora com a mãe.  Ao conversarem, ele toma conhecimento que o sonho da jovem é tornar-se professora.  Por esse motivo, ela se acha decidida a começar a trabalhar, já que a mãe não tem condições de bancar seus estudos.  Augusto promete ajudá-la financeiramente para que consiga concluir seu curso.  Depois de almoçarem juntos, os dois vão a um cinema e tomam sorvetes.  De repente, reconhecido por uma de suas vítimas, ele é levado preso, deixando a jovem adolescente a chorar.

Passados vários meses, Augusto deixa a prisão para onde foi levado.  De volta à Roma, não se encontra com seus velhos companheiros.  Através de um conhecido, toma conhecimento que Roberto mudou de vida e passou a viver em Milão.

Com um novo grupo, participa de mais um golpe do tesouro, onde ele se veste de monsenhor.  Na volta da zona rural, o Barão Vargas, um poderoso 'chefão' que os financia, os aguarda na estrada.  A ele, Augusto diz que devolveu o dinheiro do golpe, ao se comover com uma adolescente paralítica, mas feliz, da idade de sua filha.  O barão e os que participaram com ele, do golpe, não acreditam em suas palavras.  Depois de o espancarem, ocasião em que encontram o dinheiro em seus sapatos, fogem, deixando-o agonizando à beira da estrada.

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Comentários

"A Trapaça" é mais um ótimo filme italiano de meados dos anos 50.  Dirigido e co-escrito pelo cineasta Federico Fellini, sua trama gira em torno de três trapaceiros que vivem a aplicar pequenos golpes em pessoas humildes.  Eles são os anti-Robin Hood, o mítico ladrão inglês que roubava dos ricos para dar aos pobres.

Misturando o humor satírico de "Abismo de um Sonho", com o drama de filmes como "A Noite" e "O Eclipse", embora "A Trapaça" seja inferior aos três citados, Fellini mais uma vez aborda questões sócio-políticas da Itália pós-guerra.

O filme apresenta uma série de grandes seqüências, como aquelas que ocorrem em uma festa de réveillon, prenunciando os grandes momentos que viriam, cinco anos mais tarde, com "A Doce Vida".

Além do ótimo trabalho realizado pelo cineasta, o filme conta ainda com a bela fotografia em preto-e-branco de Otello Martelli e a excelente trilha sonora de Nino Rota, seu compositor preferido.  No elenco, o grande nome a destacar é o de Broderick Crawford, que se mostra aqui como um grande comediante.  Crawford era conhecido por suas brilhantes atuações em filmes policiais e dramáticos como, por exemplo, "A Grande Ilusão", de 1949, que lhe deu o Oscar de Melhor Ator.  A grande atriz italiana, Giulietta Masina, única esposa de Fellini, tem pouco tempo de tela, num papel de coadjuvante.

CAA