Filmes por gênero

A LOJA DA ESQUINA (1940)

The shop around the corner
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Ficha Técnica

Outros Títulos: El bazar de las sorpresas (Espanha)
Rendez-vous (França)
Scrivimi fermo posta (Itália)
Rendezvous nach Ladenschluß (Alemanha, Austria)
Pais: Estados Unidos
Gênero: Comédia Dramática
Direção: Ernst Lubitsch
Roteiro: Samson Raphaelson
Produção: Ernst Lubitsch
Música Original: Werner R. Heymann
Fotografia: William H. Daniels
Edição: Gene Ruggiero
Direção de Arte: Cedric Gibbons
Maquiagem: Sydney Guilaroff
Efeitos Sonoros: Douglas Shearer
Nota: 8.5
Filme Assistido em: 1948

Elenco

James Stewart Alfred Kralik
Margaret Sullavan Klara Novak
Frank Morgan Hugo Matuschek
Felix Bressart Pirovitch
Joseph Schildkraut Ferencz Vadas
Sara Haden Flora
Inez Courtney Ilona Novotny
Charles Smith Rudy
Charles Halton Detetive
William Tracy Pepi Katona
Edwin Maxwell Médico
Mabel Colcord Tia Anna
Charles Arnt Policial
William Edmunds Garçom
Claire du Brey Freguesa
Mira McKinney Freguesa
Joan Blair Freguesa

Videoclipes

70 anos de cinema

Sinopse

Em Budapeste, Matuschek é uma conhecida loja de presentes. É nela que trabalha Alfred Kralik, um vendedor experiente a quem o proprietário sempre recorre para ouvir sua opinião sobre os mais diversos assuntos ligados à loja e aos seus produtos. A um colega de trabalho, Kralik comenta que vem se correspondendo anonimamente com uma jovem inteligente, chegando a mostrar-lhe trechos das cartas dela recebidas.

Certo dia, o Sr. Matuschek procura Kralik para ouvir sua opinião a respeito de uma caixinha de música/porta cigarros que ele pretende comercializar. O vendedor é radicalmente contra a idéia por vários motivos que aponta, inclusive por ser mal acabada. A conversa é ouvida por uma jovem, Klara Novak, que acabara de entrar na loja à procura de emprego. Depois que lhe dizem que não há a menor possibilidade de ser aberta uma vaga naquele momento, Klara pega a caixinha de música e, rapidamente, consegue vendê-la a uma cliente por um preço 22% acima do valor estabelecido, substituindo em seus argumentos a expressão “porta cigarros” por “porta docinhos”. Ao assistir de longe o desempenho da jovem, o Sr. Matuschek a contrata imediatamente.

No trabalho, Kralik e Klara passam a se estranhar freqüentemente, mas esse clima de irritação é atenuado pelo fato dos dois terem seus correspondentes anônimos, com os quais trocam suas experiências e falam sobre arte, literatura e outros assuntos ligados à cultura. Com o tempo, algumas colocações românticas vão sendo introduzidas em suas cartas, como o sonho de virem a encontrar suas almas-gêmeas. O que eles não percebem é que os dois constituem exatamente essas almas-gêmeas.

Com o Natal se aproximando, a loja torna-se cada vez mais procurada. Embora continue sendo o mais experiente e eficiente funcionário da loja, Kralik começa a notar que o Sr. Matuschek vem mudando a forma de se relacionar com ele. A situação chega a tal ponto que o vendedor procura o patrão para saber o que realmente está a acontecer. Com o Sr. Matuschek procurando evitar qualquer explicação, o encontro termina com a demissão de Kralik depois de nove anos de serviços prestados à loja.

Um primeiro encontro tão ansiosamente esperado pelos dois correspondentes, para aquela noite, em um restaurante da cidade, torna-se ameaçado, já que Kralik, atordoado por sua demissão, não se sente mais tão motivado para o mesmo. Entretanto, não conseguindo lutar contra sua curiosidade, ele vai até o restaurante e espreita pela janela, descobrindo ser Klara sua correspondente anônima, por estar com o livro “Anna Karenina”, de Tolstói, tendo como marcador um cravo vermelho, conforme combinado.

Percebendo que esteve o tempo todo enganado em relação à Klara, e que sua irritação nada mais era que uma forma de mascarar a atração que sentia pela jovem, Kralik decide finalmente entrar no restaurante e ir até a mesa onde ela se encontra. Lá, ele a cumprimenta, mas não se identifica como sendo seu correspondente anônimo. Por outro lado, acreditando que a presença dele ali só pode prejudicar o encontro tão esperado, ela o trata rudemente, fazendo com que ele se retire, sabendo que ela vai esperar a noite toda por alguém que já não estará vindo.

Enquanto isso, lá na loja, o Sr. Matuschek tem uma reunião com um detetive particular. Ele sabia que sua esposa estava tendo um caso com um de seus empregados e, convencido de que se tratasse de seu amigo de confiança, Kralik, o demitiu. No entanto, o detetive apresenta provas de que sua mulher o estava traindo com Ferencz Vadas, outro funcionário da loja. Depois que o detetive se retira, com o coração partido pela infidelidade da mulher e por seu tratamento injusto para com Kralik, o Sr. Matuschek se retira para seu escritório, onde tenta o suicídio, sendo salvo no último segundo pelo garoto de entrega que voltava ao escritório um pouco mais tarde naquele dia. Mesmo assim, não suportando a tristeza e a vergonha, o Sr. Matuschek sofre um colapso nervoso e é levado para o hospital. Avisado pelo garoto, Kralik faz uma visita ao seu ex-chefe, ocasião em que este lhe pede perdão e o recoloca na loja, agora no posto de gerente geral, tendo como primeira missão a de demitir Vadas.

No dia seguinte, Kralik volta à loja onde é recebido com alegria por seus colegas e amigos. Klara chega atrasada por conta do fracasso da noite anterior e, ao descobrir que o homem que insultou é agora o seu chefe, desmaia no meio de seu escritório. Mais tarde, quando já se acha descansando em casa, Kralik a visita. Na ocasião, a Sra. Anna, tia de Klara, chega com uma nova carta de seu amigo secreto, através da qual este explica a sua ausência no encontro do restaurante. Aliviada, ela jura a Kralik que estará de volta ao trabalho no dia seguinte, véspera de Natal. Por outro lado, ele sente cada vez mais ternura por ela.

Pela manhã, quase recuperado de seus problemas de saúde, o Sr. Matuschek chega à loja para alegria dos que lá trabalham. Bem humorado, distribui bônus para todos e fica encantado ao tomar conhecimento que a loja teve seu melhor dia de vendas em toda a sua história. Quando Klara se prepara para ir ao encontro de seu correspondente anônimo, Kralik deliberadamente a atrasa com algumas perguntas. A conversa passa a ser conduzida por ele até o ponto em que, retirando do bolso um cravo vermelho, ele faz com que tudo fique claro para ela. Percebendo que ambos se acham apaixonados, eles se abraçam e saem para comemorar o Natal juntos.

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Comentários

Baseada no livro de Miklós László e adaptada para o cinema por Samson Raphaelson com a ajuda de Ben Hecht, “A Loja da Esquina” é uma deliciosa comédia romântica do cinema americano do início dos anos 40. Realizada pelo cineasta alemão Ernst Lubitsch, sua trama gira em torno de um grupo de pessoas comuns que trabalham lado a lado em uma loja de presentes, com ênfase para o relacionamento entre o mais experiente funcionário da casa e uma recém-contratada vendedora.

A direção de Lubitsch é excelente ao conseguir realizar esse delicioso trabalho sem recorrer a exageros, muitas vezes presentes nesse tipo de gênero, um trabalho espirituoso sem ser pretensioso. Sem dúvida alguma, Lubitsch contou com o ótimo roteiro escrito por Raphaelson, que cria um grupo maravilhoso de personagens e uma grande atmosfera para a comédia.

No elenco, James Stewart e Margaret Sullavan, demonstrando uma química perfeita entre eles, nos brindam com diálogos afiados e são, sem dúvida, os grandes destaques desse filme. Frank Morgan também merece ser destacado por sua ótima atuação no papel do proprietário da loja de presentes.

CAA