Filmes por gênero

ANÔNIMO VENEZIANO (1970)

Anonimo Veneziano
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Ficha Técnica

Outros Títulos: Adieu à Venise (França)
The Anonymous Venetian (USA)
Des Lebens Herrlichkeit (Alemanha)
Pais: Itália
Gênero: Melodrama
Direção: Enrico Maria Salerno
Roteiro: Enrico Maria Salerno, Giuseppe Berto
Produção: Turi Vasile
Design Produção: Luigi Scaccianoce
Música Original: Stelvio Cipriani
Fotografia: Marcello Gatti
Edição: Mario Morra
Figurino: Danda Tortona
Nota: 7.6
Filme Assistido em: 2010

Elenco

Tony Musante Enrico
Florinda Bolkan Valeria
Sandro Grinfan Gerente da Fábrica
Toti Dal Monte Proprietário da casa
Brizio Montinaro Garçom
Giuseppe Bella Técnico

Prêmios

Prêmios David di Donatello, Itália

David Especial (Enrico Maria Salerno)

David de Melhor Atriz (Florinda Bolkan)

Sindicato dos Jornalistas Críticos de Cinema, Itália

Prêmio Fita de Prata de Melhor Trilha Sonora (Stelvio Cipriani )

Prêmio Fita de Prata de Melhor Fotografia (Marcello Gatti )

Sinopse

Em Veneza, Enrico, um músico aspirante a maestro, e Valeria foram casados por onze anos e se acham separados há oito. Após a separação, Valeria e o filho do casal, Giorgio, mudaram-se para Ferrara, onde ela conheceu e passou a viver com um homem mais velho, Emilio, de cuja união nasceu uma filha, Anna Maria, agora com quatro anos.

Acometido de uma grave doença, que o levará à morte em cinco a seis meses, o músico pede à  Valeria para que venha se encontrar com ele em Veneza. Depois de conversar com sua nova família, ela atende ao pedido do ex-marido. Pouco antes da chegada do Expresso de Ferrara, Enrico entra na Estação Ferroviária, compra flores e se dirige à plataforma de desembarque. Minutos antes de se encontrar com Valeria, ele joga fora o buquê de rosas que havia comprado para ela.

Enrico, que a chamara para lhe falar de seu grave estado de saúde, não encontra forças para fazê-lo. Por outro lado, Valeria, que não sabe exatamente a que veio, deixa o tempo rolar, afirmando apenas que deverá retornar à noite daquele mesmo dia. Nesse clima, os dois passam a relembrar os onze anos em que viveram juntos.

Num certo momento, ao desconfiar que o ex-marido a chamou para falar sobre o filho Giorgio, ou sobre um eventual processo contra ela por adultério, Valeria o indaga sobre o assunto, mas ele lhe responde que não. Sobre sua união fora do casamento, ela lhe garante que tal situação só existe porque ele se negou a aceitar a separação, embora na época, ele soubesse que a vida deles havia se tornado um inferno.

O diálogo entre eles se alterna entre amor e ódio até que, num determinado momento, ele lhe confessa que está morrendo. Não compreendendo tal afirmação, Valeria lhe responde que todos estão morrendo. Enrico, então, lhe explica que tem apenas cinco a seis meses de vida, talvez menos, segundo os médicos.

Em seguida, ele lhe diz que, tendo conseguido fazer tal revelação, se ela quiser, ele poderá levá-la à Estação, já que há um trem para Ferrara às 16 horas. Valeria, entretanto, pede-lhe para que a leve até sua casa. Lá, ela descobre uma carta que ele havia começado a lhe escrever, onde dizia que pretendia se suicidar, já que estava sendo muito difícil suportar a espera dessa morte anunciada e, bem mais ainda, de conseguir dar-lhe tal notícia pessoalmente.

Ela lhe sugere, então, que ele largue tudo em Veneza e vá para Ferrara, onde poderá ficar numa Clínica e tê-la por perto. Enrico lhe responde que não poderia morrer em outra cidade que não fosse Veneza. Valeria, então, lhe diz que, já que ele a chamou, ela ficará em Veneza. Ele não concorda com a idéia e decide que ela voltará para Ferrara ainda naquela noite, conforme havia planejado, logo após assistir ao ensaio a ser realizado no Conservatório.

Eles se beijam apaixonadamente, mas em seguida, ele lhe diz que agora ela sabe por que foi por ele chamada à Veneza: “por ser a única e insubstituível pessoa que poderia sofrer ao seu lado”. Pede-lhe, ainda, que não fale com o filho sobre o assunto.

Ao receber um telefonema de Giorgio, Valeria pede ao filho que avise a todos que ela estará chegando em casa por volta das onze horas da noite. Antes do ensaio no Conservatório, Enrico e Valeria passam por uma loja onde ele compra um toca-discos e um gravador para que ela leve para Giorgio e Anna Maria.

O casal chega ao Conservatório, onde Valeria é apresentada aos presentes. O ensaio tem início, mas, ao vê-la chorando em um canto, Enrico o interrompe e se dirige à mulher, dizendo: “É melhor que você vá, meu amor. Em casa, te esperam”. Em prantos, ela se retira enquanto ele retoma o ensaio.

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Comentários

Baseado no romance homônimo do escritor Giuseppe Beto, “Anônimo Veneziano” tem roteiro magistralmente desenvolvido pelo diretor Enrico Maria Salerno, com participação do escritor. Totalmente rodado em Veneza, talvez os roteiristas tenham querido fazer um paralelo entre uma cidade decadente e a vida de um homem condenado à morte por conta de uma terrível doença no cérebro. Para tanto, a fotografia de Marcello Gatti evita capturar locais nobres e vistos por milhões de turistas que visitam a cidade todo ano como, por exemplo, as Piazza e Basilica di San Marco, os Palácios, suas Pontes, etc.

A magistral trilha sonora de Stelvio Cipriani é, sem dúvida, um dos pontos mais altos deste melodrama italiano. A partir do “Adágio do Concerto para Oboé e Cordas”, de Benedetto Marcello, compositor italiano do século XVIII, Cipriani criou uma romântica melodia para o filme.

O elenco basicamente se restringe a dois personagens vividos pelo ator ítalo-americano Tony Musante, e pela bela cearense Florinda Bolkan, com ótimos desempenhos, o que valeu à Florinda o prêmio David di Donatello de Melhor atriz.

CAA