Filmes por gênero

A VINGANÇA DE MANON (1985)

Manon des sources
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Ficha Técnica

Outros Títulos: Manon das nascentes (Portugal)
Manon of the spring (Estados Unidos)
Manon delle sorgenti (Itália)
La venganza de Manon (Espanha)
Manon del manantial (Argentina, México)
Manons Rache (Alemanha)
Jean de Florette del 2 - Manons källa (Suécia)
Manon og kilden (Dinamarca)
Манон с источника (União Soviética)
Pais: França, Itália, Suíça
Gênero: Drama
Direção: Claude Berri
Roteiro: Claude Berri, Gérard Brach
Produção: Pierre Grunstein, Alain Poiré
Design Produção: Bernard Vézat
Música Original: Jean-Claude Petit
Direção Musical: Virginie Petit, Jean-Claude Petit
Fotografia: Bruno Nuytten
Edição: Hervé de Luze, Geneviève Louveau
Figurino: Sylvie Gautrelet
Guarda-Roupa: Simone Leroy, Michèle Richer, Gil Noir e outros
Maquiagem: Jean-Pierre Eychenne, Michel Deruelle, Pierre Bellis
Efeitos Sonoros: Pierre Gamet, Laurent Quaglio, Dominique Hennequin e outros
Efeitos Especiais: Jean-Marc Mouligne, Paul Trielli
Nota: 8.9
Filme Assistido em: 1989

Elenco

Emmanuelle Béart Manon
Yves Montand Cesar Soubeyran 'Papet'
Daniel Auteuil Ugolin 'Galinette'
Hippolyte Girardot Bernard Olivier
Margarita Lozano Baptistine
Yvonne Gamy Delphine
Ticky Holgado O Especialista
Jean Bouchaud O cura
Elisabeth Depardieu Aimée Cadoret
Gabriel Bacquier Victor
Armand Meffre Philoxène
André Dupon Pamphile, o carpinteiro
Pierre Nougaro Casimir
Jean Maurel Anglade
Roger Souza Ange, o balseiro
Didier Pain Eliacin
Pierre-Jean Rippert Cabridan
Marc Betton Martial
Chantal Liennel Amandine
Lucien Damiani Belloiseau
Fransined O florista
Françoise Trompette Uma camponesa

Prêmios

Prêmios César - Academia das Artes do Cinema, França

César de Melhor Atriz Coadjuvante (Emmanuelle Béart)

Círculo dos Críticos de Cinema de Kansas City, USA

Prêmio de Melhor Filme Estrangeiro

Indicações

Academia Britânica de Cinema e Televisão, Inglaterra

Prêmio de Melhor Filme em Língua Estrangeira (Claude Berri)

Prêmios César - Academia das Artes do Cinema, França

César de Melhor Poster

Círculo dos Críticos de Cinema de Nova York, EUA

Prêmio de Melhor Filme Estrangeiro

Videoclipes

70 anos de cinema

Sinopse

Dez anos se passaram desde que a garotinha Manon assistiu de longe Papet e o sobrinho deste, Ugolin, bloquearem a nascente que normalmente regava as terras de seu pai. Agora, uma bela jovem de cerca de vinte anos, ela adora viver naquelas colinas rodeada por suas cabras. Quando sua mãe, Aimée, viaja, ela prefere ficar na fazenda. De Bordeaux, Aimée lhe envia uma carta dizendo-lhe que está com saudades e encenando a ópera Aída, de Giuseppe Verdi.

Certo dia, Ugolin vê Manon se banhando, nua, numa pequena piscina natural a tocar sua gaita. Ele se sente logo atraído bela beleza da jovem e passa a espioná-la com freqüência. Em casa, Papet lhe diz que ele precisa se casar para que a família Soubeyran tenha continuidade e sua fortuna seja bem aproveitada. Tomando coragem, Ugolin diz ao tio que, na realidade, ele se acha apaixonado por Manon, filha de Jean de Florette, mas ela ainda não sabe e ele tem receio de que ela não o aceite. Na ocasião, Papet comenta que Manon se parece muito com a avó, a bela Florette de Camoins.

No dia seguinte, ao cuidar de suas cabras como de costume, Manon se encontra com o novo professor da Vila, Bernard Olivier. Este se apresenta e lhe diz que está coletando minerais das colinas para ensinar a seus alunos a composição da terra deles. Manon lhe informa que se trata de minérios do período Cretáceo Jurássico da 2ª Era Quaternária. Bernard a acha muito bem informada para uma jovem camponesa. Escondido a poucos metros deles, Ugolin os vê e ouve toda a conversa.

Uma vez em casa, ele pede algumas dicas a Papet sobre como se aproximar de uma garota, pois está preocupado com a possibilidade de perder Manon para o novo professor. Assim, seguindo orientação do tio, ele procura Manon no campo, a quem se apresenta como sendo um antigo amigo do pai dela. Entretanto, lembrando-se que se trata de um dos responsáveis pelo bloqueio da nascente que abastecia de água a fazenda do pai, Manon não lhe responde e se afasta apressadamente, sendo por ele seguida. Enquanto tenta alcançá-la, Ugolin proclama aos gritos o seu amor por ela.

Dois caçadores vêem um pássaro morto e acreditam ser uma armadilha de Manon. Quando um deles pega o animal, o outro diz que armadilhas dos outros são sagradas para ele, especialmente as dela, pois, afinal de contas, ela já havia sido muito prejudicada, principalmente com a morte do pai da qual todos eram responsáveis. Depois de ouvir toda a conversa, Manon sai correndo bastante abalada.

Embora, quando criança, tenha visto Papet e Ugolin obstruírem a nascente de suas terras, a jovem tem uma certa dificuldade para descobrir o local exato da mesma. Quando o consegue, ela a desobstrui, fazendo com que a água volte a fluir em sua fazenda. Como conseqüência, em poucas horas toda a vila fica sem abastecimento, com os agricultores em polvorosa à procura de uma solução por parte das autoridades.

Pressionado pelos moradores, o prefeito providencia um estudo para diagnosticar o ocorrido. Concluído o mesmo, ele convoca uma reunião para que os moradores possam ouvir o que tem a dizer o especialista em engenharia rural. Aberta a reunião, o especialista informa que a nascente que abastecia a vila se originara de uma fissura entre duas camadas de pedra e que o retorno da água iria depender de como se desenvolvesse esse fenômeno geológico, podendo levar dois dias ou anos. Continuando, ele diz que também foi verificado que não existe nascentes dentro da orografia do Rio Huveaune ou de seus afluentes, o que significa dizer que a água vem de longe. Terminando, afirma a todos que, para atender às principais necessidades da população, a vila vai passar a receber um caminhão d’água por dia. Irritados, alguns dos presentes lhe perguntam qual seria sua sugestão para o caso da água não voltar em até 30 dias. O especialista lhes sugere que comprem outra fazenda em alguma região que não tenha esse problema e, em seguida, se retira.

Durante o sermão de uma missa, o padre faz duras críticas àqueles que só procuram a igreja em situações como essa que todos estão passando. Ao terminar a celebração, o professor Bernard convida a todos para tomarem um drinque em comemoração ao seu aniversário. Grande parte dos presentes aceita o convite. Manon também vai ao encontro onde, um dos presentes lhe pede para sair numa procissão afim de que a água volte, pois as orações de uma órfã chegam aos céus com uma maior força. Ela se nega a ajudar àqueles que roubaram a água do pai e aponta Papet e Ugolin como os responsáveis por tal crime. Meu pai está morto por causa desses dois assassinos, diz ela. Desesperado, Ugolin põe a culpa no tio, pede desculpas à Manon e se declara mais uma vez a ela. Como ela se afasta desprezando-o, poucas horas depois ele é encontrado por Papet enforcado em uma árvore.

Bernard procura Manon, a quem pergunta se ela vai ou não à procissão e, em seguida, o que seu pai, se fosse vivo, faria diante da situação criada. Ela pensa um pouco e termina levando-o ao local da nascente onde, juntos, desbloqueiam a passagem da água para a vila. Horas depois, contando com as presenças de Manon e Bernard, a procissão começa dando voltas em torno de um chafariz localizado na praça principal da vila, quando a água começa a voltar. Todos, então, se ajoelham acreditando tratar-se de um milagre.

Aimée, mãe de Manon, retorna à Vila para cantar na cerimônia de casamento da filha com o professor. Depois da cerimônia, Delphine, uma conhecida e idosa cega da Vila, encontra-se com Papet e, sentados em um banco de jardim, pergunta-lhe por que ele não respondeu uma carta que lhe foi enviada por Florette há mais de dez anos. Depois que ele afirma que nunca recebeu tal carta, Delphine continua dizendo-lhe que a tal carta lhe foi enviada três semanas depois que ele partira para a África engajado no exército e que, na mesma, Florette lhe falava de sua gravidez e de que o esperaria caso tivesse recebido a tão esperada resposta. Ainda, segundo Delphine, o silêncio de Papet foi o grande responsável pelo casamento dela com um ferreiro de Crespin. Tal revelação faz com que Papet conclua ser ele pai de Jean de Florette, de quem se sente responsável por sua morte, e avô de Manon.

Sentindo-se completamente arrasado, ele volta para casa onde, depois de chamar o padre para se confessar, ele põe fim à sua vida, deixando antes um bilhete para Manon no qual diz o seguinte:
“Querida Manon,
O notário irá lhe dizer que estou deixando para você todo o meu patrimônio. Isso pode ser surpresa para você, mas é verdade. Seu pai era meu filho. Ele era um Soubeyran pelo qual esperei toda a minha vida e a quem atormentei até a morte por não saber quem ele era. Se tivesse falado a ele sobre a nascente, ele ainda estaria tocando sua gaita e todos vocês estariam vivendo na casa de nossa família. Na Vila, só há uma pessoa que sabe e vai procurá-la. É Delphine, a velha mulher cega. Ela irá explicar que tudo isso começou por causa da África. Não mereço beijar-lhe e nunca ousaria falar com você, mas talvez agora possa me perdoar e até fazer uma pequena prece por Ugolin e por mim. Seu avô, César Soubeyran”.

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Comentários

Baseado num romance de Marcel Pagnol, “A Vingança de Manon” é um excelente filme do cinema francês. Na realidade, ele é a continuação de “Jean de Florette”, ambos realizados pelo cineasta parisiense Claude Berri no mesmo ano. De um modo geral, nunca uma refilmagem ou uma continuação, como é o caso, consegue manter a mesma qualidade do original. Aqui, trata-se de uma exceção a essa observação, pois ambos são realmente excelentes. Na minha avaliação, em particular, ambos receberam a nota 8,4.

Na direção, sempre atento aos detalhes, Claude Berri consegue imprimir um ritmo perfeito. A adaptação para o cinema da obra de Pagnol, a cargo de Berri e Gérard Brach, é também um trabalho digno de louvor. O principal tema musical da trilha sonora, a cargo de Jean-Claude Petit, é tirado de “La Force Du Destin”, de Giuseppe Verdi. Aliás, esse tema é usado por Petit nos dois filmes.

O filme apresenta vários momentos inesquecíveis. Para falar apenas de um, cito aquele, já no final, em que uma senhora cega revela a César Soubeyran que ele é o pai de Jean de Florette, o homem de quem ele se sente responsável pela sua morte.

No elenco, Daniel Auteuil está inesquecível. Yves Montand, perfeito. Emmanuelle Béart, no papel de Manon, nos brinda com uma ótima interpretação. Quanto à Béart, várias vezes ela me lembrou Brigitte Bardot, com a diferença de que ela, aos 22 anos, me chamou a atenção com um dos rostos mais lindos que já vi na telona.

CAA