Filmes por gênero

AO ANOITECER (1970)

Juste avant la nuit
imagem imagem imagem

Ficha Técnica

Outros Títulos: Sul far della notte (Itália)
Remorso (Portugal)
Just before nightfall (USA)
Al anochecer (Espanha)
Vor Einbruch der Nacht (Austria, Alemanha)
Strax innan mörkret (Suécia)
Tuz przed noca (Polônia)
Lige før natten (Dinamarca)
Pais: França, Itália
Gênero: Drama, Crime
Direção: Claude Chabrol
Roteiro: Claude Chabrol
Produção: André Génovès, Felice Testa Gay
Design Produção: Guy Littaye
Música Original: Pierre Jansen
Fotografia: Jean Rabier
Edição: Jacques Gaillard
Efeitos Sonoros: Guy Chichignoud, Alex Pront, Louis Devaivre
Nota: 8.2
Filme Assistido em: 1973

Elenco

Stéphane Audran Hélène Masson
Michel Bouquet Charles Masson
François Périer François Tellier
Jean Carmet Jeannot
Dominique Zardi Prince
Henri Attal Delegado Cavanna
Paul Temps Bardin
Daniel Lecourtois Dorfmann
Clelia Matania Madame Masson
Pascal Gillot Auguste Masson
Brigitte Périn Joséphine Masson
Marcel Gassouk Barman
Anna Douking Laura Tellier
Roger Lumont Comissário Delfeil
Marina Ninchi Gina Mallardi
Gilbert Servien Policial
Jean-Marie Arnoux Um Agente
Michel Duchaussoy Homem no enterro
Dominique Marcas Mme. Ortiz
Sylvie Lenoir .
Antonio Passalia .

Prêmios

Academia Britânica de Cinema e Televisão, Inglaterra

Prêmio de Melhor Atriz (Stéphane Audran)

Videoclipes

70 anos de cinema

Sinopse

Num Studio alugado, depois de fazer amor com Laura, mulher de seu melhor amigo e vizinho, Charles Masson a estrangula induzido por ela.  Ainda perturbado com seu gesto, ele sai e vai até um Bar próximo onde toma algumas doses de uísque com a intenção de se recompor. Por coincidência, François, o tal amigo, entra no Bar e, ao saírem juntos, lhe oferece carona.

Já próximos de suas casas, eles param num outro Bar para um novo drinque, quando François recebe uma ligação telefônica informando-lhe que sua mulher havia sofrido um acidente. Charles se oferece para acompanhá-lo, mas ele lhe diz que não é preciso e que acredita tratar-se de um acidente de trânsito.

François chega ao local que lhe fora indicado, onde é recebido pelo Delegado Delfeil e pela Srta. Gina Mallardi. A ele lhe é dito que Laura se acha morta e que é preciso que ele faça o reconhecimento do corpo. Na manhã seguinte, depois de ler as notícias no jornal, Charles vai à casa de François apresentar-lhe sua solidariedade. Na ocasião, François lhe diz que gostaria que ele e Hélène, mulher de Charles, não pensassem mal de Laura.

A Srta. Mallardi procura François para lhe dizer que, há cerca de dois meses, viu Laura sair do Studio que ela tem alugado, acompanhada de um homem que ela não conhecia, mas que durante o funeral ela o reconheceu como sendo o Sr. Masson. François lhe responde dizendo que foi ótimo que ela o tivesse procurado antes de falar para a polícia, pois ele pode lhe assegurar que, mesmo que Charles fosse a pessoa que ela tivesse visto, haveria com certeza uma resposta lógica para o fato. Continuando, diz que o conhece há 25 anos e que são como dois irmãos.

O peso da culpa, entretanto, faz com que Charles fique cada vez mais irritado e depressivo. Isso faz com que ele revele à Hélène sua ligação com Laura. A mulher o perdoa, mas notando que o marido continua amargurado, sugere que os dois passem alguns dias no litoral. Assim, eles vão para a praia, deixando os dois filhos aos cuidados da mãe dele. Uma vez lá, ele conta para a mulher detalhes da relação doentia que manteve com a vizinha. Ainda na praia, Charles recebe um chamado urgente de seu Escritório, o que faz com que o casal retorne antes da data prevista.

Ao chegar à sua Empresa, ele é recebido por Prince, um de seus empregados, e pelo Delegado Cavanna, ocasião em que toma conhecimento que Bardin, o mais antigo e respeitado funcionário da Empresa, havia fugido com o dinheiro da Folha de Pagamentos de dois meses em companhia de uma garota por quem se apaixonara dois meses antes. Pouco tempo depois, Bardin é preso e algemado em Orléans.

À noite, em sua casa, Charles encontra sua mãe e François como convidados para o jantar. Horas depois, quando François se prepara para ir embora, Charles faz questão de acompanhá-lo. Aproveitando a ocasião, ele confessa para o amigo que é o autor da morte de Laura e que gostaria de receber o perdão dele antes de se entregar para a polícia no dia seguinte. François lhe responde que não carrega qualquer desejo de vingança e que não vê o menor motivo para o amigo se entregar, já que tal ato, além de não trazer Laura de volta, tornaria a situação de Hélène e dos filhos mais complicada. Ao voltar para casa, Charles diz à mulher que já contou tudo a François e que ele teve a mesma reação que a dela.

Ao comparar sua situação com a de Bardin, um homem outrora respeitável e agora culpado por um crime bem menos grave que o seu, Charles não vê outra saída para ele que não seja a de se entregar à polícia e cumprir a pena que lhe for imposta. À noite, sem conseguir dormir, ele diz para Hélène que já tomou a decisão de se entregar na manhã seguinte, pois só encontrará paz quando estiver preso. Em seguida, pede à esposa que lhe dê um copo d’água com algumas gotas de um sonífero para que ele consiga dormir um pouco. Certa de que a decisão do marido é irreversível, ela administra uma dose letal do tal sonífero. Assim, sua morte será considerada como resultado de um gesto suicida, e a vida poderá continuar quase que normal para ela e as crianças.

imagem imagem imagem

Comentários

Baseado num romance de Edouard Atiyah, “Ao Anoitecer” é mais um ótimo filme do cinema francês que merece ser visto e apreciado. Realizado pelo cineasta Claude Chabrol, um dos pais da “nouvelle vague”, este intrigante thriller familiar procura focar o problema da infidelidade e, principalmente, o fardo da culpa resultante. Para que se tenha uma melhor idéia desse fardo, Chabrol se coloca na posição do marido traidor que só vê uma saída para ele: entregar-se para a polícia e ser julgado pela justiça, mesmo considerando que sua própria mulher e o marido traído já o perdoaram pelo ato por ele praticado.

Além do belo trabalho de direção impresso pelo cineasta, ele assina também um roteiro digno de nota. “Ao Anoitecer” apresenta ainda vários outros pontos que merecem ser citados como o som de Pierre Jansen e a fotografia de Jean Rabier.

Como sempre acontecem nos filmes de Chabrol, as atuações são soberbas, com os principais personagens bem desenvolvidos e críveis. No papel do marido traidor que não consegue mais suportar o peso do fardo que carrega, Michel Bouquet nos brinda com uma atuação memorável. Stéphane Audran, surpreendentemente linda, está perfeita no papel da esposa traída. Fechando o triângulo amoroso, François Périer desenvolve um trabalho convincente, como o marido traído, personagem que surpreende o público com a forma com que enfrenta a perda e o assassino da esposa.

CAA