Filmes por gênero

CAIS DAS SOMBRAS (1938)

Le quai des brumes
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Ficha Técnica

Outros Títulos: Port of shadows (Estados Unidos)
El muelle de las brumas (Argentina)
Il porto delle nebbie (Itália)
Hafen im Nebel (Alemanha)
Menschen in de mist (Holanda)
Dimmornas kaj (Suécia)
Ludzie za mgla (Polônia)
Набережная туманов (União Soviética)
Pais: França
Gênero: Crime, Drama, Suspense
Direção: Marcel Carné
Roteiro: Jacques Prévert
Produção: Gregor Rabinovitch
Design Produção: Alexandre Trauner
Música Original: Maurice Jaubert
Fotografia: Eugen Schüfftan
Edição: René Le Hénaff
Figurino: Coco Chanel
Efeitos Sonoros: Antoine Archimbaud
Nota: 8.9
Filme Assistido em: 1951

Elenco

Jean Gabin Jean
Michel Simon Zabel
Michèle Morgan Nelly
Pierre Brasseur Lucien
Édouard Delmont Panama
Robert Le Vigan Michel Krauss, um pintor
Raymond Aimos Vittel
René Génin Dr. Molène, médico
Marcel Pérès O Motorista
Jenny Burnay Amiga de Lucien
Roger Legris O Jovem do Hotel
Martial Rèbe O Cliente
Léo Malet Soldado
Raphaël Um cúmplice
Claude Walter O Órfão

Prêmios

Festival Internacional de Veneza, Itália

Menção Especial (Marcel Carné)

Prêmios Louis Delluc, França

Prêmio Louis Delluc (Marcel Carné)

Indicações

Festival Internacional de Veneza, Itália

Copa Mussolini de Melhor Filme Estrangeiro (Marcel Carné)

Videoclipes

70 anos de cinema

Sinopse

Na França, às vésperas da 2ª Guerra Mundial, Jean, um soldado desertor do exército colonial, chega a Le Havre com a esperança de conseguir embarcar clandestinamente em algum navio que o leve para o continente americano. Sem dinheiro e sem se alimentar há dois dias, recebe a ajuda de Vittel, um bêbado que encontra na rua, que o leva até a casa do Sr. Panamá, uma espécie de pousada junto ao mar.

Logo em seguida, chega também, à pousada, Michel Krauss, um pintor que se acha numa fase depressiva e que, ao fazer uma pergunta a Jean, é por este ofendido com uma resposta grosseira. Ao saber das reais condições do soldado, o Sr. Panamá lhe oferece algo para jantar.

Enquanto isso, no “Au Petit Tabarin”, uma casa noturna defronte a qual Jean havia encontrado Vittel, Lucien, um jovem delinqüente, e dois cúmplices seus, abordam o Sr. Zabel com a intenção de saber o paradeiro de Maurice, um rival deles com o qual desejam fazer um ajuste de contas. Zabel lhes diz que não tem idéia de onde se encontra o rapaz, mas que, se soubesse não lhes revelaria, pois tem muita pena de todos porque, embora de boas famílias, embarcaram pelo caminho da bandidagem. O Sr. Zabel é padrinho de Nelly, uma bela jovem de 17 anos que teve um namoro com Maurice, mas o relacionamento entre padrinho e afilhada não é nada bom.

Nelly chega à pousada onde seu primeiro contato com Jean é semelhante ao ocorrido com Michel. Entretanto, à medida que as horas passam, a conversa entre os dois vai-se transformando num relacionamento amistoso. Algum tempo depois, Lucien e seus cúmplices, em perseguição a Zabel, chegam também ao local. Quando Panamá se nega a abrir a porta para eles, começa uma troca de tiros que termina com a fuga dos delinqüentes.

No dia seguinte, Jean pergunta a Panamá se ele teria alguma roupa de civil que lhe pudesse dar. Sem lhe cobrar a diária da pousada, o proprietário lhe pede para voltar à noite, pois vai ver se lhe consegue alguma roupa. Jean e Nelly saem juntos e vão até o cais do porto onde, sentados em sua mureta, conversam por um bom tempo. Enquanto isso, Michel, que ouvira a conversa do militar sobre roupas civis e, demonstrando intenção de vir a se suicidar, comenta com Panamá que suas roupas e sapatos até que serviriam para o soldado.

Ainda no cais do porto, o casal é abordado por Lucien e seus cúmplices que querem saber de Nelly onde podem encontrar Maurice. Depois de dizer à jovem que parece que ela já esqueceu e substituiu seu antigo namorado, Lucien tenta beijá-la, mas é impedido por Jean que o esbofeteia e o adverte para não mais se aproximar dela. Em seguida, os dois se despedem e marcam um novo encontro na pousada.

Depois que ela se afasta, Jean descobre que a jovem colocou algum dinheiro em seu bolso. Ele resolve gastá-lo com um bom presente para ela. Sem saber, ele entra numa loja, cujos fundos dão para a residência de Zabel. Quando este descobre que o presente é para sua afilhada, não lhe cobra nada e o convida para tomar um chá em sua casa. Lá, o casal volta a se encontrar, mas logo depois, ao descobrir uma abotoadura de Maurice no chão, Nelly passa mal e desmaia. Minutos depois, ao se restabelecer, a jovem  não permite que Zabel lhe toque, certa de que o padrinho é o responsável pelo desaparecimento de seu antigo namorado. Nelly e Jean marcam um encontro às 9 horas da noite junto ao carrossel de um Parque de Diversões instalado na área do porto.

Antes do encontro, Jean passa pela pousada de Panamá, que lhe entrega as roupas, sapato, identidade, passaporte e 850 francos deixados por Michel. Já no porto, ele conversa com Dr. Molène, tripulante de um navio que deixará Le Havre no dia seguinte, o qual lhe promete conseguir autorização do comandante para que ele possa viajar.

Quando Nelly chega, os dois se mostram apaixonados e fazem planos para o futuro. Um novo encontro com Lucien gera uma briga que termina com Jean o expulsando do Parque. Nelly e Jean dormem juntos e, na manhã seguinte, ele lhe conta que estará viajando para a Venezuela no navio que se acha bem defronte à janela do quarto em que se encontram. Depois de reafirmarem seus planos para se reencontrarem num futuro breve, Nelly se despede e volta para a casa de Zabel.

Ao chegar lá, seu padrinho lhe diz que a ama e que matou Maurice por ciúmes. Quando ele tenta agarrá-la à força, é surpreendido pela chegada inesperada de Jean, que havia resolvido dar um último abraço em Nelly antes da partida de seu navio. Os dois lutam e Zabel termina morto. Depois de uma última despedida, Jean deixa a casa de Zabel, sendo ferido mortalmente por cinco tiros disparados por Lucien, que o aguardava dentro de seu carro. Jean morre nos braços de Nelly.

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Comentários

“Cais das Sombras” é, sem dúvida, um dos clássicos do cinema francês do final da década de 30. Realizado pelo cineasta Marcel Carné, o filme é uma adaptação para o cinema da obra de Pierre MacOrlan, brilhantemente executada por ele e por seu colaborador e roteirista, Jacques Prévert. Sua trama gira em torno de um soldado desertor do exército colonial francês, que chega a Le Havre com a esperança de conseguir embarcar clandestinamente em algum navio que o leve para longe de seu País.

A fotografia de Eugen Schüfftan é única, apresentando um visual semelhante àquele que, anos mais tarde, se tornaria a marca registrada do movimento “noir” americano. Adicionalmente, os diálogos irretocáveis, aliados a grandes interpretações de um elenco de primeira linha, fazem de “Cais das Sombras” mais uma obra-prima de Marcel Carné, que tem em “O Boulevard do Crime”, de 1945, sua maior realização.

Como uma última observação, cito o fato de vermos Michèlle Morgan, com apenas 17 anos, se apresentar em perfeita sintonia e demonstrando uma química perfeita ao lado do grande Jean Gabin.

CAA