Filmes por gênero

MEU TIO DA AMÉRICA (1980)

Mon oncle d'Amérique
imagem imagem imagem

Ficha Técnica

Outros Títulos: My american uncle (Reino Unido)
Mi tío de América (Espanha, Argentina)
Mein onkel aus Amerika (Alemanha)
Pais: França
Gênero: Comédia Dramática
Direção: Alain Resnais
Roteiro: Jean Gruault
Produção: Philippe Dussart
Design Produção: Jacques Saulnier
Música Original: Arié Dzierlatka
Fotografia: Sacha Vierny
Edição: Albert Jurgenson
Figurino: Catherine Leterrier
Maquiagem: Marie-Hélène Yastchenkoff
Efeitos Sonoros: Gérard Loupias
Nota: 8.5
Filme Assistido em: 2007

Elenco

Gérard Depardieu René Ragueneau
Nicole Garcia Janine Garnier
Roger Pierre Jean Le Gall
Henri Laborit Ele próprio
Nelly Borgeaud Arlette Le Gall
Marie Dubois Thérèse Ragueneau
Jean Dasté Sr. Louis
Gérard Darrieu Léon Veestrade
Philippe Laudenbach Michel Aubert
Pierre Arditi Zambeaux
Albert Médina Bauzon-Montrieux
Bernard Malaterre Pai de Jean
Laurence Roy Mãe de Jean
Alexandre Rignault Avô de Jean
Véronique SilverLa mère de Mãe de Janine
Jean Lescot Pai de Janine
Geneviève Mnich Mãe de René
Maurice Gauthier Pai de René
Guillaume Boisseau Jean, criança
Ina Bedart Janine, criança
Ludovic Salis René, criança
Damien Boisseau Jean, adolescente
Stephanie Loustau Janine, adolescente
François Calvez René, adolescente

Prêmios

Festival Internacional de Cannes, França

Prêmio FIPRESCI (Alain Resnais)

Grande Prêmio do Júri (Alain Resnais)

Prêmios David di Donatello, Itália

David de Melhor Roteiro Estrangeiro

Sindicato Francês dos Críticos de Cinema, França

Prêmio de Melhor Filme (Alain Resnais)

Círculo dos Críticos de Cinema de Nova York, EUA

Prêmio de Melhor Filme Estrangeiro

Indicações

Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood, EUA

Oscar de Melhor Roteiro Original

Festival Internacional de Cannes, França

Prêmio Palma de Ouro (Alain Resnais)

Prêmios César - Academia das Artes do Cinema, França

César de Melhor Filme (Alain Resnais)

César de Melhor Direção (Alain Resnais)

César de Melhor Roteiro

César de Melhor Design de Produção

César de Melhor Fotografia

César de Melhor Atriz (Nicole Garcia)

Videoclipes

70 anos de cinema

Sinopse

Jean Le Gall, nascido em 1929 em Morbihan, é um executivo da televisão com uma ambicionada carreira literária e política. Adora livros antigos e teatro. Casado com Arlette, tem um casal de filhos.

Janine Garnier, nascida em Paris em 1948. Filha de um pai operário nas fábricas da Renault, decide ser atriz depois de ver Jean Marais no palco, mas sofre a oposição da família. Secretária numa firma de latões, torna-se atriz amadora, e em seguida, semiprofissional. Depois de algum sucesso numa pequena peça na Rive-Gauche, passa a trabalhar em papéis secundários na televisão. Gosta de ler Prevert, Aragon, Alexandre Dumas e Michel Zevaco, e não perde um filme de herói na televisão.

René Ragueneau, nascido em 1941. Filho de pais agricultores, trabalhou na fazenda da família até os 19 anos, época em que participou de um Grupo de Ação Católica. Com um Certificado do Ensino Básico, entra numa Firma têxtil onde, após fazer um curso de formação profissional, tem ascensão rápida. Aos 35 anos, torna-se diretor técnico num subúrbio de Lille. Casado com Thérèse, uma professora, continua católico praticante e já espera o terceiro filho. Gosta de futebol, cozinha, operetas e de todos os filmes de Jean Gabin, de quem vai ver e rever todos eles.

Professor Henri Laborit, nascido em 1914 em Hanói, Indochina, filho de um médico do exército colonial. Doutor em medicina, investigador chefe do serviço de saúde do exército, é pioneiro da técnica de hibernação artificial. Trabalhando sobre as reações dos organismos à agressão, trouxe novas soluções à anestesia e reanimação. Autor de inúmeros trabalhos sobre a biologia do comportamento, dirige o Laboratório de Eutonologia em Paris. Ganhador do Prêmio Albert Lasker da American Health Association, gosta de equitação e vela, é casado e tem 5 filhos.

Jean e Arlette conhecem Janine após uma de suas apresentações numa peça da Rive-Gauche. Eles a procuram logo depois de encerrado o espetáculo, para parabenizá-la por sua atuação. Na ocasião, Jean fica bastante impressionado com sua beleza.

Certo dia, ao regressar de um período de férias, Ragueneau é apresentado pelo Sr. Louis, gerente da Empresa em Lille, a Leon Veestrade. Segundo o Sr. Louis, este exerce as mesmas funções que ele na Firma Lacaune e que a idéia é a dos dois trabalharem juntos para poderem comparar métodos e preparar a fusão das duas empresas.

Enquanto isso, na casa de Jean e Arlette, ele se prepara para abandoná-la. O casal briga, atraindo a atenção dos dois filhos. Às crianças, Arlette diz que o pai vai viajar e lhes pede para se despedirem dele. Assim, carregando sua mala, o executivo vai ao encontro de Janine, com quem passa a viver.

Atacado por uma gastrite nervosa, Ragueneau confessa para a mulher que se acha muito inseguro em relação ao seu futuro na Empresa, pois está com receio de que a direção geral, em Paris, vai ter que escolher entre ele e Veestrade para o cargo que ocupam. Thérèse tenta animá-lo ao dizer-lhe que a comparação pode ser a favor dele, mas René lhe responde que só agora se deu conta de que, ao contrário de Veestrade, não se acha a par dos novos métodos de trabalho.

Poucos dias depois, Ragueneau é chamado à direção geral da Empresa, em Paris, onde lhe é dito que Veestrade foi escolhido para ficar em Lille. Chocado, ele pergunta se está despedido, mas lhe respondem que, muito ao contrário, estão pensando em confiar-lhe uma outra tarefa mais exigente. Como as tecelagens Broceliande se juntaram ao Grupo, a Empresa precisa dele em Cholet, como Diretor local, o que vai implicar em um aumento substancial em seu salário. Quando Ragueneau reclama que Cholet fica a 600 km de sua casa, pedem-lhe que vá até lá, reflita, converse com sua esposa e tome uma decisão, sabendo que sua recusa trará problemas para ambas as partes. Depois de analisar bem a proposta que lhe foi feita, Ragueneau volta pra casa todo animado com o novo desafio que lhe foi oferecido e, principalmente, com o salário que vai receber como Diretor da Empresa em Cholet. Para sua surpresa, Thérèse reage mal à ida para Cholet, alegando que não vai ser fácil conseguir sua transferência como professora, além de não pretender deixar sua casa agora quase totalmente paga. Quando René tenta convencê-la sobre as vantagens oferecidas pela Empresa, Thérèse lhe diz que está acostumada em seu lugar, que se dá bem com os colegas e que definitivamente não conte com ela.

Enquanto isso, no apartamento de Janine, Jean se contorce com fortes dores renais. Quando abre a porta para ir à farmácia, Janine se depara com Arlette que, usando de chantagem, lhe diz que só tem poucos meses de vida e que gostaria de passá-los ao lado do marido. Acreditando na mentira, Janine pede que Jean volte para a esposa por alguns meses, período em que ela vai se dedicar intensamente ao teatro. Ele reage inicialmente à idéia, mas termina deixando o apartamento.

Na casa dos Ragueneau, ocorre a separação esperada. Minutos antes de René entrar em seu carro para viajar para Cholet, Thérèse lhe comunica que se acha grávida, fato que não faz com que ele cancele a viagem programada.

Dois anos depois, Janine se encontra com Jean, ocasião em que toma conhecimento que Arlette nunca esteve doente. Ela lhe diz que continua amando-o e tenta explicar-lhe o motivo que a levou a se separar dele, mas Jean a interrompe, alegando que se acha atrasado para um encontro com a mulher. Ao chegar ao hotel em que se encontra, Janine escreve uma carta para ele, na qual diz: “Jean, esta manhã quase lhe disse por que lhe deixei, mas sua atitude me deixou muda. Eu queria lhe dizer que não consigo viver sem você. Eu lhe deixei porque sua mulher me disse que ia morrer, mas soube agora, por você, que era mentira. Estou sofrendo, mas será que acredita em mim?”. Concluída a mesma, Janine termina por não enviá-la.

A partir daí, ela muda de profissão e de ambiente, tornando-se conselheira de um grupo industrial, onde conhece Ragueneau. Este não se mostra um bom gestor, causando prejuízos à Empresa, segundo Janine. Ele se sente desprestigiado quando lhe oferecem um cargo técnico, mesmo sem rebaixamento de seu salário. Assim, ao chegar onde mora, tenta o suicídio por enforcamento. Sua sorte é que Janine resolve telefonar para ele e a pessoa que atende ao telefonema, ao bater em sua porta, descobre que ele se acha pendurado pelo pescoço em uma corda. Atendido a tempo, é levado em uma ambulância para um hospital onde verificam que seu ato produziu apenas um edema sem maiores conseqüências. Mais tranqüilo, ele recebe a visita da mulher e dos filhos.

Janine resolve ir até a casa de Jean para ter uma conversa com ele, mas não o encontra, pois o mesmo se acha numa caçada com um grupo de amigos. Sua mulher, Arlette, diz a ela que não se arrependeu do que fez, já que o lugar do marido era ali, ao lado dela e dos filhos. Não se conformando, Janine vai até a propriedade do Marquês de Villeneuve, local da caçada, onde finalmente o encontra. Jean confessa-lhe que soube recentemente da mentira que lhe foi pregada por sua mulher, mas que, pensando bem, foi a melhor solução para sua família.

NOTA
À medida que as histórias vão se desenrolando, Dr. Henri Laborit vai fazendo algumas intervenções onde compara um determinado comportamento de um dos personagens às leis do comportamento humano baseadas nos estudos por ele desenvolvidos sobre o cérebro e a fisiologia animal.

imagem imagem imagem

Comentários

Embora inferior à “Hiroshima, Meu Amor” de 1959, e à “O Ano Passado em Marienbad” de 1961, “Meu Tio da América” é mais uma verdadeira obra-prima do grande cineasta francês, Alain Resnais. Como em várias de suas obras, o filme não é de fácil entendimento, levando o espectador a ficar atento até a última cena, no que é recompensado pelo fascínio que lhe é proporcionado.

O cirurgião, biólogo e pesquisador Henri Laborit (1914 – 1995) é um dos atores, onde interpreta a si mesmo, usando as cenas do filme como exemplos para suas teorias sobre o comportamento humano. Assim, trechos que seriam de muito mais difícil entendimento através da leitura de um livro técnico, são trazidos às vidas dos diversos personagens graças à habilidade e à parceria Laborit – Resnais.

Além do magnífico trabalho do cineasta, o roteiro de Jean Gruault é muito bem construído, sem altos e baixos, assim como o trabalho de edição de Albert Jurgenson. Na área técnica, merece ainda ser mencionada a bela fotografia de Sacha Vierny. No elenco, além do Dr. Henri Laborit, os três personagens principais estão ótimos em seus respectivos papeis, com ênfase para a atuação de Nicole Garcia, magnífica como Janine Garnier.

Enfim, “Meu Tio da América” é um filme imperdível e com recomendação de ser revisto para um melhor entendimento dos ensinamentos do Dr. Laborit sobre o comportamento humano.

CAA