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A SUPREMA FELICIDADE (2010)

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Ficha Técnica

Pais: Brasil
Gênero: Drama
Direção: Arnaldo Jabor
Roteiro: Arnaldo Jabor, Ananda Rubinstein
Produção: Arnaldo Jabor, Francisco Ramalho Jr.
Fotografia: Lauro Escorel
Edição: Leticia Giffoni
Figurino: Valeria Stefani
Maquiagem: Marisa Amenta
Efeitos Sonoros: Romeu Quinto, Ricardo Reis, Miriam Biderman, José L. Sasso
Efeitos Especiais: Nills Bonetti
Nota: 7.0
Filme Assistido em: 2010

Elenco

Marco Nanini Noel, avô de Paulo
Dan Stulbach Marcos, pai de Paulo
Mariana Lima Sofia, mãe de Paulo
Caio Manhente Paulo, aos 8 anos
Michel Joelsas Paulo, aos 13 anos
Jayme Matarazzo Paulo, aos 19 anos
Tammy Di Calafiori Marilyn, dançarina de 16 anos
Maria Flor Deise
Elke Maravilha Avó
Maria Luísa Mendonça Mãe de Marilyn
Emiliano Queiroz Comprador de revistas e jornais velhos
João Miguel O pipoqueiro Bené
César Cardadeiro Cabeção
Ary Fontoura Padre, professor do Colégio Jesuita
Jorge Loredo Padre, professor do Colégio Jesuita

Indicações

Grande Prêmio Brasileiro de Cinema, Brasil

Prêmio de Melhor Fotografia

Prêmio de Melhor Trilha Sonora

Prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante (Elke Maravilha)

Videoclipes

70 anos de cinema 70 anos de cinema

Sinopse

Rio de Janeiro, 1945. Em uma rua bucólica, Paulo, de 8 anos, assiste à festiva comemoração do fim da guerra ao lado dos pais, Marco, aviador da FAB, e da mãe Sofia, sorriso largo, sedutora, cheia de vitalidade, cabeça feita pelos filmes de Hollywood. Estes se conheceram em um baile cinematográfico, quando acreditaram que viveriam juntos e felizes para sempre.

A rua de Paulo vibra com personagens típicos desses anos cinqüenta, como o pipoqueiro Bené, sempre narrando façanhas sexuais, uma turma de vizinhos briguentos, e um triste comprador de revistas e jornais velhos. Paulinho tem um amigo inseparável, Cabeção, com quem compartilha a rua e o colégio jesuíta, onde padres com sermões virulentos ameaçam com o inferno qualquer pensamento de cunho sexual.

Na juventude, Paulo vive situações fortemente contrastantes. Em casa, o pai apaixonado por aviões, não consegue realizar o sonho de pilotar um jato. Deprime-se e reprime as tímidas aspirações da mãe de alçar algum vôo profissional. A relação entre Paulo e o pai é distante, mas compensada pela cumplicidade com o avô Noel, um funcionário público boêmio, tocador de trombone de vara na Lapa, filósofo do cotidiano e iniciador de Paulo e Cabeção na vida noturna. A avó de Paulo, uma polaca ex-dançarina da Lapa, também é um sopro libertário no clima doméstico cada vez mais opressivo.

Logo chega o tempo do primeiro porre, da primeira festa, do primeiro amor, Deise, uma jovem misteriosa com ar existencialista, tão original quanto delirante. O primeiro amor não dá certo, mas graças ao avô, o rapaz e Cabeção fazem novas incursões na animada noite carioca. O rol de experiências amplia-se com idas ao Mangue, área de prostituição, onde Paulo assiste a uma impressionante “convenção de prostitutas”. Inquieto, inseguro, intenso, o rapaz questiona tudo, da existência de Deus a tabus sexuais. Nos momentos de crise, conta sempre com o avô que acena com possibilidades de entendimento da felicidade.

Uma ida ao cabaré Eldorado torna-se um divisor de águas nessa vida em formação. Entre os clientes, Paulo vê o pai, seu antigo herói da aviação, degradado, a beber enquanto assiste a um show da cantora e dançarina Marilyn. E compartilha com o pai o fascínio pela jovem de 16 anos, sensual e provocante como a atriz de Hollywood, obrigada pela mãe a se despir para os clientes.

De repente, para Paulo, tudo parece acontecer ao mesmo tempo: uma surpreendente história de amor com Marilyn, a deterioração mental da mãe, uma repentina aproximação com o pai, o envelhecimento do avô. Um dia deverá ser bom olhar para trás e lembrar que, apesar de tudo, naquela época, naquela casa, naquelas ruas, conheceu personagens incríveis e viveu momentos de suprema felicidade numa cidade, em tantos sentidos, maravilhosa.

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Comentários

Embora tenha recebido algumas críticas negativas, considero “A Suprema Felicidade” um filme muito bom do jornalista, roteirista e diretor Arnaldo Jabor. Alguns jornais chegaram a dizer que “A Suprema Felicidade” está para Jabor assim como “Amarcord”, de 1973, está para Federico Fellini, ou seja, relata alguns fatos vividos pelo cineasta na infância/adolescência. Se isso é verdade, fica ainda mais fácil entender por que o filme se mostra tão poético e cheio de saudosismo. Para as novas gerações, talvez essas nuances passem despercebidas, o que não ocorre com o menino Paulo, com Jabor ou comigo, por termos vivido aquela época. O filme, por exemplo, começa com a comemoração do final da 2ª guerra mundial, ocasião em que Paulo tinha 8, Jabor 4 e eu 11 anos de idade.

A edição, de Leticia Giffoni, faz com que o filme vá e volte no tempo algumas vezes, o que não é nenhuma novidade na arte de fazer cinema. O importante é que esses diversos fragmentos vão se alinhavando e fazendo sentido. A direção de arte faz um belo trabalho na recriação do Rio de Janeiro do final dos anos 40, o mesmo ocorrendo com a trilha sonora, ao mostrar a música americana dominante nos bailes daquela época.

Por outro lado, acho que Jabor cometeu dois exageros em seu trabalho, completamente dispensáveis. Na época, é verdade que o conceito de pecado era muito rígido, a começar por um simples e passageiro mau pensamento. No entanto, não tenho conhecimento de que em colégios de padres, ou em qualquer outro, houvesse aulas sobre sexo e, ainda mais, usando testículos de boi como material didático. Um segundo exagero diz respeito à apresentação da famosa Zona do Mangue do Rio de Janeiro. Embora se tratasse da zona de baixo meretrício da cidade, acho que Jabor se excedeu ao apresentar um número maior do que o necessário de mulheres nuas e seminuas, próprio das pornochanchadas dos anos 70. Parece-me até que a atriz Maria Flor foi escalada apenas para mostrar os seios, tão pequeno foi o seu tempo de tela.

No elenco, o grande nome é o de Marco Nanini, magnífico, roubando todas as cenas das quais participa, no papel do avô coruja de Paulo, sempre antenado com as transformações da época. Em seguida, vêm as atuações de Mariana Lima, no papel da frágil Sofia, mãe de Paulo, dos garotos Michel Joelsas e Caio Manhente, e de Dan Stulbach. Bom também é rever Elke Maravilha há tantos anos fora da telona. Uma boa e agradável surpresa é a estréia de Tammy di Calafiori no cinema, no papel da cantora e dançarina Marilyn.

CAA