Filmes por gênero

LUZ DE INVERNO (1962)

Nattvardsgästerna
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Ficha Técnica

Outros Títulos: Los comulgantes (Espanha)
Les communiants (França, Bélgica)
Luci d'inverno (Itália)
Licht im winter (Alemanha)
Winter light (USA, UK)
Pais: Suécia
Gênero: Drama
Direção: Ingmar Bergman
Roteiro: Ingmar Bergman
Produção: Allan Ekelund
Design Produção: P.A. Lundgren
Fotografia: Sven Nykvist
Edição: Ulla Ryghe
Figurino: Mago
Efeitos Sonoros: Evald Andersson, Brian Wikström, Stig Flodin
Nota: 8.6
Filme Assistido em: 2009

Elenco

Ingrid Thulin Märta Lundberg, professora
Gunnar Björnstrand Pastor Tomas Ericsson
Gunnel Lindblom Karin Persson
Max von Sydow Jonas Persson
Kolbjörn Knudsen Sacristão Knut Aronsson
Allan Edwall Sacristão Algot Frövik
Olof Thunberg Organista Fredrik Blom
Elsa Ebbesen Magdalena Ledfors, viúva
Stefan Larsson Filho de Persson
Ingmari Hjort Filha de Persson
Tor Borong Johan Åkerblom
Bertha Sånnell Hanna Appelblad
Eddie Axberg Johan Strand, estudante
Lars-Olof Andersson Garoto

Videoclipes

70 anos de cinema

Sinopse

Primeiro Movimento
Num domingo cinzento de novembro, ao meio-dia, o Pastor Tomas Ericsson celebra a liturgia da Eucaristia, em uma pequena igreja de Mittsunda. Na igreja quase vazia, apenas sete paroquianos acham-se presentes, dentre os quais encontram-se a professora da escola da aldeia, Märta Lundberg, o pescador Jonas Persson e sua esposa grávida, Karin.

Terminada a cerimônia, enquanto o sacristão Knut Aronsson conta as doações do ofertório, na sacristia, Tomas tem vários acessos de tosse, comentando que deve ter pegado uma forte gripe.  Aronsson sugere que o reverendo Broms celebre a missa na pequena aldeia vizinha de Frostnäs, mas Tomas o lembra que Broms não vai estar disponível. Aronsson lembra ainda a necessidade de Tomas ter uma ajudante, sugerindo o nome de Märta Lundberg. Logo a seguir, o sacristão Algot Frövik procura Tomas para falar sobre um assunto pessoal, mas o pastor pede-lhe para procurá-lo às 15 horas quando estará em Frostnäs.

Aronsson avisa Tomas que a Sra. Karin Persson, acompanhada do marido Jonas, deseja falar-lhe. Após sentar-se, ela informa que se acha muito preocupada com o marido, deprimido desde que leu uma notícia de que os chineses estavam a ponto de possuírem a bomba atômica, já que a intenção deles é de destruírem todo o mundo. Alegando que não tem como ajudar o marido, ela sugere que os dois conversem a sós sobre o assunto. Tudo combinado, Jonas vai deixar a mulher em casa com a promessa de retornar em meia-hora.

Quando os Perssons se retiram, Marta entra na sacristia trazendo um cesto de alimentos e café para Tomas. Ele lhe agradece, mas lhe diz que já tomou o seu café-da-manhã. Os dois discutem sobre o persistente assédio dela com a intenção de conquistá-lo amorosamente. Antes de sair, Marta pergunta-lhe se ele leu a carta por ela enviada no dia anterior, no qual ela se explica, mas para sua decepção, ele ainda não a leu.

Segundo movimento
Após a saída de Marta, e com alguma hesitação, Tomas lê a referida carta, enquanto aguarda o retorno de Jonas à sacristia. Quando este retorna, como combinado, Tomas age mais como um assistente social, fazendo-lhe perguntas simples sobre sua vida e procurando evitar uma abordagem mais filosófica sobre o problema. Ao perceber a superficialidade de sua abordagem, o pastor passa a se expressar através de um longo monólogo através do qual fala de seus próprios medos e dúvidas a respeito de Deus. Lamentavelmente, as colocações de Tomas não ajudam Jonas, que deixa a sacristia sem dizer uma única palavra. Em seguida, o pastor corre para a capela-mor, onde Marta o espera, e cai com um ataque de tosse na frente do altar. Naquele momento, a Sra. Magdalena Ledfors entra e diz que Jonas se suicidou com sua própria arma, junto ao rio.

Voltando rapidamente à realidade de suas funções clericais, Tomas vai ao local do suicídio, deixando Marta sozinha. Ao chegar lá, a polícia já se encontra providenciando a retirada do corpo. A professora vai ao seu encontro e os dois voltam juntos até a casa/escola dela. Enquanto ela vai ao andar superior pegar algumas aspirinas e medicamentos para tosse, Tomas a aguarda embaixo na sala de aula. Ao retornar, Marta continua a discutir a relação dos dois até chegar ao ponto em que o pastor lhe diz que não a quer, que está cansado dos seus cuidados, de sua preocupação excessiva, dos seus conselhos, de sua visão limitada, de suas mãos inábeis, de sua ansiedade, de suas demonstrações tímidas de afeto, de sua má digestão, de suas menstruações. Ele se diz cansado disso tudo, de tudo que tem a ver com ela.

Entretanto, depois de colocar pra fora todos esses seus sentimentos, Tomas a convida para acompanhá-lo à Frostnäs, onde tem que estar às 15 horas. Ela aceita o convite. No caminho, eles param na casa da Sra. Karin para dar-lhe a notícia do suicídio de seu marido.

Terceiro movimento
Na sacristia de Frostnäs, Frövik tem finalmente a chance de explicar para Tomas o que sente sobre o abandono de Cristo na cruz, já que o próprio Cristo perguntou ao Pai por que Ele o abandonara. Para Frövik, nos momentos que antecederam sua morte, Cristo teve dúvidas e Deus ficou em silêncio. Tais colocações deixam o abalado pastor ainda mais inseguro em relação à sua fé. Ao mesmo tempo, o organista Fredrik Blom sugere à Marta que deixe Tomas e Mittsunda, uma vez que o pastor ainda é perdidamente apaixonado por sua esposa morta há alguns anos.

Como não há paroquianos presentes para a missa das 15 horas, Frövik procura Tomas para saber o que deve fazer. O pastor lhe ordena que comece a tocar os sinos para anunciar o início da cerimônia. Em seguida, com seu rosto marcado pela angústia, Tomas emerge da sacristia e, ao chegar ao altar, dirigindo-se a uma platéia vazia, pronuncia: “Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do Universo. A terra proclama a Vossa glória...”

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Comentários

"Luz de Inverno" é mais um ótimo filme do grande cineasta sueco, Ingmar Bergman. Trata-se do segundo filme da trilogia de Bergman sobre “a fé”, ou “o silêncio de Deus”, precedido apenas por “Através de um Espelho”, o melhor dos três. Sua trama gira em torno de um pastor luterano que atravessa uma profunda crise de fé, iniciada com a perda de sua amada esposa, ao mesmo tempo em que luta contra os avanços de uma apaixonada paroquiana.

Como sempre, a direção de Bergman é perfeita, aqui realçada pela magnífica fotografia de Sven Nykvist e pelas soberbas atuações de Ingrid Thulin e Gunnar Björnstrand, respectivamente nos papéis da professora Märta Lundberg e do pastor luterano. Em papéis menores, Gunnel Lindblom e Max von Sydow também nos brindam com ótimas interpretações.

O filme apresenta uma série de grandes momentos, como aquele em que o pastor mostra à professora o quanto ele a despreza, ou quando esta, em um close de cerca de cinco minutos, lê a carta que enviara a ele. O final angustiante, com o pastor preso a rituais para ele agora vazios e sem sentido de vida, também é outro grande momento a ser mencionado.

CAA