Filmes por gênero

A CONDESSA DESCALÇA (1954)

The barefoot Contessa
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Ficha Técnica

Outros Títulos: La Contessa scalza (Itália)
La comtesse aux pieds nus (França, Bélgica)
La condesa descalza (Espanha, Argentina, México)
Die barfüßige gräfin (Alemanha, Austria)
Barfotagrevinnan (Suécia)
Bosonoga contessa (Polônia)
Den barfodede grevinde (Dinamarca)
Босоногая графиня (União Soviética)
Pais: Estados Unidos, Itália
Gênero: Drama, Mistério
Direção: Joseph L. Mankiewicz
Roteiro: Joseph L. Mankiewicz
Produção: Angelo Rizzoli, Robert Haggiag
Música Original: Mario Nascimbene
Fotografia: Jack Cardiff
Edição: William Hornbeck
Figurino: Fontana
Efeitos Sonoros: Charles Knott
Nota: 8.3
Filme Assistido em: 1955

Elenco

Humphrey Bogart Harry Dawes
Ava Gardner Maria Vargas
Edmond O'Brien Oscar Muldoon
Marius Goring Alberto Bravano
Valentina Cortese Eleanora Torlato-Favrini
Rossano Brazzi Conde Vincenzo Torlato-Favrini
Elizabeth Sellars Jerry
Warren Stevens Kirk Edwards
Franco Interlenghi Pedro Vargas
Mari Aldon Myrna
Alberto Rabagliati Proprietário
Maria Zanoli Mãe de Maria
Renato Chiantoni Pai de Maria
Bill Fraser J. Montague Brown
John Parrish Sr. Max Black
Diana Decker Loura embriagada
Bessie Love Sra. Eubanks
John Horne Hector Eubanks
Robert Christopher Eddie Blake
Riccardo Rioli Dançarino cigano
Gertrude Flynn Lulu McGee
Anna Maria Padoan Arrumadeira
Carlo Dale Motorista
Olga San Juan .

Prêmios

Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood, EUA

Oscar de Melhor Ator Coadjuvante (Edmond O'Brien)

Prêmios Globo de Ouro, EUA

Prêmio de Melhor Ator Coadjuvante (Edmond O'Brien)

Indicações

Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood, EUA

Oscar de Melhor História e Roteiro (Joseph L. Mankiewicz)

Círculo dos Críticos de Cinema de Nova York, EUA

Prêmio de Melhor Ator (Edmond O'Brien)

Grêmio dos Roteiristas da América

Prêmio de Melhor Roteiro de um Drama Americano (Joseph L. Mankiewicz)

Videoclipes

70 anos de cinema

Sinopse

Em um cemitério na Riviera Italiana, o roteirista e diretor de cinema, Harry Dawes, participa do funeral da Condessa Torlato-Favrini, conhecida no mundo do cinema como a atriz Maria D'Amata.

Harry lembra-se de como eles se conheceram quando ele era um alcoólatra em recuperação e foi contratado pelo financista de Wall Street, Kirk Edwards, para escrever e dirigir seu primeiro empreendimento na área de produção de filmes. Na companhia de Edwards, de sua então namorada Myrna e de seu obsequioso agente de imprensa, Oscar Muldoon, ele visitou um clube noturno em Madrid, em busca de uma nova atriz para estrelar o filme. Depois de assistirem à bela e sensual dança de Maria Vargas, Edwards pediu a Muldoon para trazer a bela dançarina à mesa deles, mas Maria declinou do convite, afirmando que ela não mantinha relações com a clientela do clube. Edwards, então, ameaçou cancelar a produção, a menos que ele conseguisse convencer Maria a mudar de idéia. Inicialmente, ela não se mostrou disposta a colaborar, mas ao saber do nome dele, que ela respeitava por conta de seus filmes, concordou em se encontrar com Edwards. Após o pegajoso Muldoon dizer-lhe que eles queriam que ela fizesse um teste em Roma, ela pediu desculpas para dar um telefonema. Quando ele descobriu que Maria havia deixado o clube, informou Edwards a respeito, ocasião em que este lhe deu uma hora para que estivesse com a jovem no aeroporto, pois pretendia seguir imediatamente para Roma em seu avião particular, alertando-o para que, sem Maria, não precisava nem aparecer por lá. Ele seguiu a jovem até a casa dos pais dela, onde ela lhe falou sobre sua infância pobre durante a guerra civil e como, muitas vezes, não tendo sapatos, adquiriu o hábito de andar com os pés descalços. Após o teste bem sucedido de Maria em Roma, ele disse a Edwards, de quem Maria não gostava, que ela ia trabalhar apenas com ele, como seu diretor, embora nenhum contrato exista entre eles.

De volta ao funeral, em frente a uma estátua de Maria com os pés descalços, Muldoon se lembra como ela, na época conhecida como a atriz Maria D'Amata, chegou desacompanhada para a estréia de seu primeiro filme. Algum tempo depois, ao se encontrar em Londres para organizar a estréia do filme na Grã-Bretanha, Muldoon descobriu que o pai dela havia matado a mãe, ficando preocupado com a possibilidade de a publicidade arruinar sua carreira. Maria, no entanto, retornou à Espanha onde fez uma defesa apaixonada do pai, que terminou absolvido.

Harry lembra-se ainda que, por causa de sua honestidade e humanidade, Maria tornou-se uma grande estrela. Dois anos depois, em Hollywood, Edwards deu uma festa para impressionar o milionário sul-americano, Alberto Bravano, que cobiçava Maria, a qual Edwards considerava como sua propriedade pessoal, embora ela continuasse a não gostar dele. Na época, Maria disse-lhe que era muito grata pelos três filmes que fizeram juntos, mas que não se sentia feliz e ansiava por voltar à Madrid. Depois que Bravano a convidou para viajar para a Riviera com ele, Edwards a proibiu de ir, mas ela seguiu Bravano de qualquer maneira. Muldoon, sempre oportunista, deixou Edwards e se juntou a Bravano. Mais tarde, relatou que o milionário nunca chegou perto de Maria, mas que procurava aparecer ao lado dela para que o mundo pensasse que eram amantes. Bravano e Maria tornaram-se parte do Jet set internacional, na Riviera Francesa, embora ela não tivesse o menor interesse em suas inconseqüentes atividades. Certa noite, em um cassino, Bravano a acusou publicamente de ser a responsável pelo azar que fez com que ele perdesse milhões de francos nas mesas de jogo. Enquanto isso, um senhor de uma tradicional família italiana, Conde Vincenzo Torlato-Favrini, aproximou-se de Bravano, e após dar-lhe um tapa, convidou Maria para sair com ele.

Vincenzo relata a próxima etapa da história de Maria: Mais cedo naquele mesmo dia, quando ele parou em um acampamento cigano para obter água para o radiador de seu carro, ele a viu dançando e se encantou com ela. Mais tarde, no cassino, ele a viu jogar dinheiro de um balcão para um suposto amante cigano. Depois de deixarem o local, ele a surpreendeu ao perguntar-lhe seu nome, pois não tendo o costume de ir ao cinema, não imaginava que ela fosse tão famosa. De volta à sua magnífica Villa, ele a apresentou à sua irmã viúva, Eleanora. Por outro lado, obcecado em dar continuidade à sua história familiar, ele informou sua irmã sobre seu desejo de se casar com Maria. Chocada, Eleanora disse-lhe que seria triste e cruel para com a jovem.

Ainda no cemitério, coberto por chuva, Harry continua a se lembrar dos últimos meses de Maria: Seis semanas depois que ela e Vincenzo se encontraram, ele retornou à Itália para dirigir mais um filme. Ao se encontrar com Maria, ela lhe falou que estava muito feliz e prestes a se casar com Vincenzo. Convidado, ele substituiu o pai dela na cerimônia de casamento, embora estranhando o fato dela nunca ter-se apaixonado antes, já que os casos que tivera anteriormente não tiveram a menor importância para ela. Continuando, recorda que, uma semana antes de sua morte, Maria o visitou, ocasião em que lhe falou que o marido não tinha condições de ter relações sexuais devido a um ferimento de guerra, mas que ela pretendia fazê-lo feliz, dando-lhe um filho para dar continuidade à sua linhagem familiar. Dizendo-se grávida, ela lhe confiou que pretendia ainda naquela noite terminar o relacionamento com o pai da criança e, na manhã seguinte, contar toda a verdade a Vincenzo. Quando ela se despediu e foi embora, ele viu outro carro segui-la. Preocupado com a segurança de Maria, ele resolveu ir até a Villa, aonde chegou tarde demais para evitar que Vincenzo atirasse nela e em seu motorista. Em seguida, quando o Conde lhe perguntou sobre o que Maria lhe teria falado naquela noite, ele lhe respondeu que só conversaram sobre os velhos tempos.

Ao terminar o sepultamento, a chuva passa e o sol ilumina a estátua de Maria, enquanto Vincenzo é levado sob custódia da polícia e os demais presentes ao funeral se afastam.

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Comentários

“A Condessa Descalça” é uma boa co-produção ítalo-americana de meados dos anos 50. Escrito e dirigido pelo cineasta Joseph L. Mankiewicz, sua trama gira em torno da vida de uma belíssima dançarina, desde sua descoberta para o cinema em um clube noturno de Madrid, até sua morte poucos anos depois.

Mankiewicz realiza um bom trabalho, tanto na elaboração do roteiro, quanto na direção do filme. Os diálogos, muito bem trabalhados, ajudam a manter a atenção dos espectadores, mesmo em alguns momentos em que o ritmo se mostra um pouco lento. A bela fotografia do inglês Jack Cardiff é outro ponto que merece ser mencionado.

O filme inicia-se e termina no funeral da Condessa Torlato-Favrini, conhecida no mundo do cinema como a atriz Maria D'Amata. Por conseqüência, toda a história é contada em flashbacks por nada menos que três narradores, o que pode eventualmente desagradar algumas pessoas que o assistem.

No elenco, Ava Gardner, cada vez mais bela, nos brinda com um forte desempenho no papel do obstinado personagem-título. Humphrey Bogart também se mostra muito bem como seu amigo e diretor, aqui iniciando a fase final de sua carreira, já que morreria dois anos depois. No papel do pegajoso agente de imprensa, Edmond O'Brien nos brinda com uma excelente atuação, que lhe valeu, como ator coadjuvante, sua indicação aos prêmios Oscar e Globo de Ouro. Finalmente, merecem ser mencionados os trabalhos de Rossano Brazzi e Valentina Cortese, dois ícones do cinema italiano.

CAA