Filmes por gênero

OS PRIMOS (1959)

Les cousins
imagem imagem imagem

Ficha Técnica

Outros Títulos: The cousins (Estados Unidos)
I cugini (Itália)
Los primos (Espanha, Argentina)
Schrei, wenn du kannst (Alemanha)
Kusinerna (Suécia)
Kuzyni (Polônia)
Fetterne (Noruega)
Fætrene (Dinamarca)
Pais: França
Gênero: Drama
Direção: Claude Chabrol
Roteiro: Claude Chabrol
Produção: Claude Chabrol
Design Produção: Bernard Evein, Jacques Saulnier
Música Original: Paul Misraki
Direção Musical: Georges Derveaux
Fotografia: Henri Decaë
Edição: Jacques Gaillard
Maquiagem: Irène Charitonoff
Efeitos Sonoros: Jean-Claude Marchetti, Jean Labussière, Maurice Dagonneau
Nota: 8.7
Filme Assistido em: 1961

Elenco

Gérard Blain Charles
Jean-Claude Brialy Paul Thomas
Juliette Mayniel Florence
Stéphane Audran Françoise
Guy Decomble Vendedor de livros
Geneviève Cluny Geneviève
Michèle Méritz Yvonne
Corrado Guarducci Conde Arcangelo Minerva
Paul Bisciglia Marc
Jeanne Pérez Arrumadeira
Françoise Vatel Martine
Claude Cerval Clovis Dalbecque
Jean-Louis Maury Jogador de bridge
André Jocelyn Philippe
Jean-Pierre Moulin Estudante
Sophie Grimaldi Jovem nos Champs-Elisées
László Szabó Jovem que abre a porta
André Zamire .

Prêmios

Festival Internacional de Berlim, Alemanha

Prêmio Urso de Ouro (Claude Chabrol)

Videoclipes

70 anos de cinema

Sinopse

Charles é um jovem sério, direto, sincero, leal e um pouco ingênuo. Vivendo numa pequena cidade francesa, é enviado pela mãe para morar com um primo, Paul, que tem um apartamento em Paris, a fim de terminar seu curso de licenciatura em Direito. Ao contrário de Charles, Paul é um playboy cosmopolita sofisticado, disposto a viver o aqui-e-agora da maneira mais prazerosa possível, sem qualquer preocupação ou responsabilidade com os outros, nem consigo mesmo.

Ao chegar ao apartamento, Charles encontra o primo em companhia de Clovis, um parasita amigo da família e mais velho que os dois. Pouco depois, chega Geneviève, uma jovem com quem Paul teve um caso, alegando que se acha grávida. Disfarçadamente, Paul entrega a Clovis uma certa quantidade de dinheiro.

No dia seguinte, depois de passarem pela Champs-Élysées, os primos vão a uma espécie de “Associação”, no Quartier Latin, onde encontram Clovis. Este informa a Paul que o problema de Geneviève já se acha resolvido. Na ocasião, Charles é apresentado à Florence, por quem se sente logo atraído, mas ela deixa o local em companhia de outro rapaz.

Depois de passar por uma livraria, onde adquire um livro de Balzac, Charles escreve para a mãe dizendo que o melhor do Curso é que não precisa fazer anotações durante as aulas. Toda semana, faz duas cópias do material escolar e estuda em casa.

Quando Paul realiza uma festinha para os amigos em seu apartamento, Geneviève comparece e, sobre sua gravidez, diz que tudo não passou de um alarme falso. Florence, também presente, é procurada por Charles que tenta conquistá-la. Depois de uma meia-hora, enquanto Charles se sente um pouco inseguro, talvez por ainda não estar adaptado aos hábitos da cidade grande, Florence já se mostra por ele apaixonada. Os dois concordam em sair para um passeio, mas quando Charles pede as chaves do carro de Paul, este resolve continuar com a festinha em outro lugar e, na confusão que se forma, Charles e Florence se desencontram.

No dia seguinte, ela lhe telefona e os dois marcam um encontro para as 17 horas, quando ele estará saindo da Faculdade. Duas horas antes, ela se encontra com Paul, quando este tenta fazer com que ela esqueça o primo, alegando que ele é bom quando se fala de arte, mas que em matéria de cama é um fracasso. Florence responde que quer realmente amar Charles e que cama não é tudo. Clovis chega ao apartamento e, ao saber do que está acontecendo, diz à Florence que ela já transou com dezenas de conhecidos e que não é uma mulher para se casar, principalmente com um homem como Charles. Insistente em seus argumentos, consegue finalmente fazer com que a jovem ceda após um beijo de Paul e vá para a cama com este.

Ao sair da Faculdade, Charles espera por Florence por quase uma hora. Como ela não comparece ao encontro marcado, ele volta pra casa, onde a vê ao lado de Paul. Este lhe comunica que os dois resolveram morar juntos. Decepcionado, Charles se vê forçado a conviver com ela e o primo no mesmo apartamento. Nos dias que se seguem, excetuando as horas das refeições, Charles passa todo o seu tempo a estudar trancado em seu quarto.

A três dias dos exames finais, Paul comunica ao primo que sua relação com Florence terminou e que ela não mora mais com eles. Charles continua a estudar arduamente enquanto Paul não larga sua vida boêmia. Os exames de Paul se dão na véspera dos de Charles. Ao sair da Faculdade, o playboy entrega uma boa soma em dinheiro a Clovis e vai comemorar sua aprovação. À noite, promove mais uma festa para os amigos, no apartamento, prejudicando a concentração de Charles que não larga os seus livros. Numa certa altura, Florence vai até ele para conversar um pouco, mas irritado, ele a expulsa do quarto.

No dia seguinte, conforme programado, ele se submete aos exames finais na Faculdade, de onde sai reprovado. Ao chegar em casa, Paul já se acha dormindo. Sem nenhuma explicação, Charles retira um revólver da parede, coloca uma bala e, usando a técnica da “roleta russa”, caminha em direção a Paul dizendo que ele vai ter cinco chances em seis para não sofrer nada. Depois de apontar a arma para a cabeça do primo, aperta o gatilho e nada ocorre. Sem fazer barulho para não acordá-lo, desce as escadas e se dirige ao seu quarto, deixando o revólver sobre um pufe na sala.

Em sua mesa de estudos, tenta escrever algo, mas não consegue. Volta à sala onde, para sua surpresa, Paul se encontra a beber um copo d’água. Ao tomar conhecimento da reprovação do primo, Paul tenta animá-lo, dizendo-lhe que o conhece muito bem, que sabe de seu potencial, enfim, que ele será muito feliz. Quando Charles se afasta um pouco e, ao ver seu revólver sobre o pufe, Paul o apanha e, imaginando que ele esteja descarregado, como deveria estar, aciona o gatilho e Charles cai morto.

imagem imagem imagem

Comentários

“Os Primos” é mais um excelente filme de Claude Chabrol. Aqui, este grande expoente da “nouvelle vague” francesa, além de nos brindar com uma precisa direção, assina também a história e a produção.

Um dos principais pontos a serem destacados nesta sua obra do final dos anos 50, é a forma como ele, contando com a bela fotografia de Henri Decaë, consegue captar de forma magnífica a mudança de comportamento do personagem central, Charles, um jovem sério, sincero e até certo ponto ingênuo, que deixa a cidade pequena do interior para viver com o primo playboy, partidário da “dolce vita”, num apartamento de Paris. Essa mudança fica bastante clara no final do filme, quando, sem nenhuma explicação, Charles pega um revólver e, por pouco, não mata friamente o seu primo. Para mim, é como se essa atitude violenta estivesse decretando a morte da inocência do jovem crescido longe da agitação da grande cidade.

No elenco, Gérard Blain e Jean-Claude Brialy, respectivamente nos papeis de Charles e Paul, nos apresentam grandes atuações. No papel de Françoise, Stéphane Audran realiza o seu primeiro de um total de 23 trabalhos, em que é dirigida por Chabrol, com quem viria a se casar em 1964.

CAA