Filmes por gênero

O CÉU QUE NOS PROTEGE (1990)

The sheltering sky
imagem

Ficha Técnica

Outros Títulos: Um chá no deserto (Portugal)
Un thé au Sahara (França)
Il tè nel deserto (Itália)
El cielo protector (Espanha)
Refugio para el amor (Argentina, Peru)
Himmel über der Wüste (Alemanha)
Den skyddande himlen (Suécia)
Under himlens dække (Dinamarca)
Под покровом небес (União Soviética)
Pais: Reino Unido, Itália
Gênero: Drama, Aventura, Romance
Direção: Bernardo Bertolucci
Roteiro: Bernardo Bertolucci, Mark Peploe
Produção: Jeremy Thomas
Design Produção: Gianni Silvestri
Música Original: Ryuichi Sakamoto
Direção Musical: Ray Williams, John Altman
Fotografia: Vittorio Storaro
Edição: Gabriella Cristiani
Direção de Arte: Andrew Sanders
Figurino: James Acheson
Guarda-Roupa: Richard Pointing, Frank Gardiner, Michael Barber e outros
Maquiagem: Paul Engelen, Lynda Armstrong
Efeitos Sonoros: Don Sharpe, Gerry Humphreys, David Motta e outros
Efeitos Especiais: Renato Agostini, Danilo Bollettini
Efeitos Visuais: Craig Chandler
Nota: 8.4
Filme Assistido em: 1991

Elenco

Debra Winger Katherine Moresby
John Malkovich Port Moresby
Campbell Scott George Tunner
Jill Bennett Sra. Lyle
Timothy Spall Eric Lyle
Eric Vu-An Belqassim
Azahra Attayoub Esposa de Belqassim
Maghnia Mohamed Esposa de Belqassim
Oumou Alghabid Esposa de Belqassim
Amina Annabi Mahrnia
Philippe Morier-Genoud Capitão Broussard
Sotigui Kouyaté Abdelkader
Tom Novembre Oficial da Imigração Francesa
Ben Smaïl Smaïl
Mohammed Afifi Mohamed
Carolyn de Fonseca Srta. Ferry
Veronica Lazar Freira
Rabea Tami Dançarina cega
Nicoletta Braschi Mulher francesa
Menouer Samiri Motorista do ônibus
Mohamed Ixa Líder da caravana
Paul Bowles Narrador

Prêmios

Prêmios Globo de Ouro, EUA

Prêmio de Melhor Trilha Sonora Original (Ryûichi Sakamoto, Richard Horowitz)

Academia Britânica de Cinema e Televisão, Inglaterra

Prêmio de Melhor Fotografia (Vittorio Storaro)

Sociedade dos Críticos de Cinema de Boston

Prêmio de Melhor Fotografia (Vittorio Storaro)

Sindicato dos Jornalistas Críticos de Cinema, Itália

Prêmio Fita de Prata de Melhor Fotografia (Vittorio Storaro)

Associação de Críticos de Cinema de Los Angeles, EUA

Prêmio de Melhor Música (Ryûichi Sakamoto, Richard Horowitz)

Círculo dos Críticos de Cinema de Nova York, EUA

Prêmio de Melhor Fotografia (Vittorio Storaro)

Indicações

Prêmios Globo de Ouro, EUA

Prêmio de Melhor Direção (Bernardo Bertolucci)

Academia Britânica de Cinema e Televisão, Inglaterra

Prêmio de Melhor Design de Produção (Gianni Silvestri)

Sindicato dos Jornalistas Críticos de Cinema, Itália

Prêmio Fita de Prata de Melhor Direção (Bernardo Bertolucci)

Associação de Críticos de Cinema de Los Angeles, EUA

Prêmio de Melhor Fotografia (Vittorio Storaro)

Sociedade Nacional dos Críticos de Cinema dos Estados Unidos

Prêmio de Melhor Atriz (Debra Winger)

Círculo dos Críticos de Cinema de Nova York, EUA

Prêmio de Melhor Direção (Bernardo Bertolucci)

Videoclipes

70 anos de cinema

Sinopse

Logo após o final da 2ª Guerra Mundial, Port e Katherine 'Kit' Moresby, um casal de americanos que vive em Nova York, decide embarcar num navio com destino à África do Norte.  Intelectuais e casados há dez anos, esperam que as novas experiências que os aguardam, lhes dêem um novo rumo em suas vidas, fortalecendo a relação que tem passado por algumas crises.  George Tunner, um amigo do casal, os acompanha.

Ao chegarem à Tânger, hospedam-se no Grand Hôtel.  Logo depois, Port convida a mulher para dar uma volta pela cidade, mas ela prefere ficar e descansar um pouco.  Ele sai sozinho, sendo abordado por Smaïl, um cafetão, que puxa conversa e lhe oferece os serviços de uma prostituta.  Hesitante em princípio, termina acompanhando-o até uma tenda onde é recebido por Mahrnia.  Enquanto têm uma relação sexual, ela procura roubar sua carteira, mas ele percebe.  Ao deixar a tenda, entretanto, a um sinal de Mahrnia, um grupo de marginais o persegue.

No hotel, eles conhecem Eric Lyle e sua mãe.  Todos devem viajar no dia seguinte para Boussif.  Os Lyles, numa Mercedes Benz, oferecem dois lugares ao casal.  Não achando justo Tunner viajar sozinho num trem, Kit decide acompanhá-lo, para desgosto de Port.  De olho na mulher do amigo, Tunner embarca com várias garrafas de champanhe, de modo que, ao acordar na manhã seguinte, Kit se dá conta de que se acha nua na mesma cama com Tunner.  Tal fato a deixa em pânico por saber que o marido já deve se encontrar no hotel.

Port desconfia de que algo está ocorrendo entre sua mulher e Tunner.  Assim, no dia seguinte, ele e Kit pegam um ônibus para Bou Noura, onde ele se dá conta de que seu passaporte foi roubado por Eric.  Algum tempo depois de comunicar o fato às autoridades, é avisado que o documento foi encontrado em Messad e que está sendo trazido de lá por Tunner.

Sem esperar pelo passaporte, Port embarca com Kit em outro ônibus para "El Ga' ar", tida como a mais bela cidade do Sahara.  No caminho, ele adoece e, ao chegar ao destino, não consegue hospedagem, pois a cidade basicamente acha-se interditada por conta de uma epidemia.  Na carroceria de um caminhão, os dois conseguem chegar à Sba, onde ele é diagnosticado como portador de febre tifóide.  Kit dedica-se dia e noite ao marido mas, depois de alguns dias, ele morre.

Sozinha, ela parte numa caravana de camelos, liderada por Belqassim, através do deserto.  Apesar de ter três esposas, o beduíno passa a tratá-la como se ela fosse uma quarta, até que as três outras a expulsam do acampamento.  Sozinha e mentalmente perturbada, ela termina sendo levada para um hospital de Tânger.

Depois que Tunner envia vários telegramas ao Consulado americano, sobre o desaparecimento de Kit, ela é finalmente localizada no tal hospital.  Uma funcionária da Embaixada a leva até o Grand Hôtel, onde ele se acha hospedado.  Ao chegar lá, Kit fica no carro enquanto a funcionária sai à procura de Tunner.  Poucos instantes depois, os dois chegam ao automóvel, mas não a encontram.  Andando sem rumo, Kit entra num Bar onde já estivera com o marido.  Ao ser perguntada se se encontra perdida, ela confirma.

imagem

Comentários

Baseado no livro autobiográfico de Paul Bowles, "O Céu Que Nos Protege" é mais um grande filme do cineasta italiano Bernardo Bertolucci.  A trama gira em torno de um casal americano que decide viajar para a África do Norte, sem data para voltar, na esperança de que o novo que encontrarão pela frente, os leve ao revigoramento da relação de 10 anos que existe entre eles e que se acha desgastada.

Ao viajarem em companhia de um amigo, quando este comenta que eles devem ser os primeiros turistas a visitarem a África após o fim da 2ª Guerra, Kit retruca ao dizer que ela e o marido não são turistas, e sim viajantes, pois o turista pensa em voltar para casa, enquanto o viajante pode até não voltar.  Tal colocação mostra claramente que, para ela, além da viagem física ao continente africano, existe uma outra, mais importante, mais profunda, de conhecimento interior, da qual poderá não voltar se a mesma resultar, por exemplo, no fim de seu casamento.
A ida de Port a uma tenda de prostituição e, no dia seguinte, ao deixar a mulher seguir de trem com Tunner para Boussif, como que inconscientemente empurrando-a para os braços do amigo, mostra quão desenganado ele se encontra em relação ao seu casamento.  Entretanto, ainda em Boussif, ao sair com ela de bicicleta e fazer amor ao ar livre, tendo por testemunhas apenas um céu infinito e a amplidão do deserto, Port sente que ainda pode amar sua mulher.  Tal descoberta faz com que ele procure evitar Tunner, passando a viajar apenas com ela.  Esses seus novos sentimentos deveriam, na realidade, ser postos na mesa, discutidos com a mulher, ao invés de procurar uma solução através da fuga.  A viagem para "El Ga' ar", considerada a mais bela cidade do Sahara, é para Port a esperança de uma nova vida.  Quando ele é acometido de febre tifóide, a dedicação de Kit é exemplar, mostrando a cumplicidade que ainda os une e que o amor entre eles continua vivo.  Dias depois, entretanto, ele vem a morrer.

A morte do marido, além de deixá-la sozinha, fisicamente, num mundo totalmente desconhecido, representa ainda a quebra dos vínculos que mantinha com tudo e com todos, inclusive com sua própria identidade.  Com sua lucidez prejudicada, deixa o cadáver do marido para trás, embrenha-se pelo deserto árido e infindável, entregando-se aos desejos de um beduíno, sem denotar exteriormente qualquer emoção, sentimento ou perturbação.

"O Céu Que Nos Protege" não é um filme simples.  Para melhor entendê-lo, é preciso vê-lo e revê-lo.  Longo, com cerca de 2h40min de duração, muitas vezes Bertolucci imprime um ritmo lento à trama, que chega a impacientar o espectador, mas que, no fundo, tem a ver com o momento por que passam os personagens.

Além do excelente trabalho realizado pelo cineasta, o filme apresenta uma bela fotografia, captando de forma magnífica as belezas naturais do Sahara, bem como, as extraordinárias atuações de Debra Winger e John Malkovich.

CAA

 

 

Este foi um dos melhores filmes que assisti.  Já o vi algumas vezes e gosto quando ela se desprende de tudo, até de si mesma, e vive qualquer inesperado que se lhe apresenta.  Ao se dar ao estrangeiro, faz emergir em si todo o estranho que há entre nós.  Como diz uma psicanalista que conheço, "somos estrangeiros em nós mesmos".  O que aparece é seu desamparo frente ao impasse da morte, ao impasse do feminino e seu próprio desejo em busca de algo que não sabe o que é.  No final, parece que ela faz questão de se encontrar perdida para continuar sua busca.  Afinal, não somos todos viajantes?

A. Rabello