Filmes por gênero

A FLOR QUE NÃO MORREU (1959)

Green mansions
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Ficha Técnica

Outros Títulos: Vertes demeures (França)
Verdi dimore (Itália)
Mansiones verdes (Espanha)
Tropenglut (Alemanha)
Blommande djungel (Suécia)
La flor que no murió (México)
Zöld paloták (Hungria)
Зелени селения (Bulgária)
Pais: Estados Unidos
Gênero: Aventura, Romance
Direção: Mel Ferrer
Roteiro: Dorothy Kingsley
Produção: Edmund Grainger
Música Original: Bronislau Kaper
Direção Musical: Charles Wolcott
Fotografia: Joseph Ruttenberg
Edição: Ferris Webster
Direção de Arte: E. Preston Ames, William A. Horning
Figurino: Dorothy Jeakins
Maquiagem: William Tuttle
Efeitos Sonoros: Franklin Milton
Efeitos Especiais: A. Arnold Gillespie, Lee LeBlanc, Robert R. Hoag
Efeitos Visuais: Cliff Shirpser
Nota: 6.8
Filme Assistido em: 1961

Elenco

Audrey Hepburn Rima
Anthony Perkins Abel Gueva de Argensola
Lee J. Cobb Nuflo
Sessue Hayakawa Runi
Henry Silva Kua-Ko
Nehemiah Persoff Don Panta
Michael Pate Padre
Estelle Hemsley Cla-Cla
Yoneo Iguchi Guia nativo
Bill Saito Guia nativo
Ron Veto Nativo

Videoclipes

70 anos de cinema

Sinopse

No final do século XIX, na Venezuela, o filho de um funcionário público assassinado, Abel Gueva de Argensola, consegue escapar dos rebeldes e foge em direção a um rio fora de Caracas. Empenhado em vingar a morte do pai, ele resolve viajar para o interior à procura de uma falada riqueza em ouro com a qual poderá contratar soldados.

Com a ajuda do proprietário de um armazém de suprimentos, Abel consegue guias indígenas e uma canoa, além de tomar conhecimento que os nativos da selva primitiva valorizam muito a coragem. Após um cansativo dia rio abaixo, dentro da selva, os guias entram em pânico ao ver, ao longo das margens, várias lanças com penas vermelhas, o que faz com que eles abandonem a canoa à deriva com Abel. A forte correnteza faz com que a canoa rapidamente caia numa pequena queda d’água, onde vira e obriga Abel a nadar até uma das margens, onde é cercado por nativos que o levam até sua pequena aldeia.

Lá, Abel é apresentado ao Chefe Runi, que usa um enorme colar em ouro. Determinado a descobrir a origem daquele ouro, ele se deixa amedrontar pelos nativos e passa um dia inteiro debaixo de um sol escaldante. Ao anoitecer, quando já se acha a ponto de desmaiar, o filho de Runi, Kua-Ko, aparece e fala com ele em inglês, revelando que estivera por anos em uma missão, onde foi obrigado a aprender a língua não nativa. Aliviado, Abel assegura que é um amigo, ocasião em que presenteia Runi com uma pedra própria para fazer fogo. Agradecido, o chefe da aldeia oferece-lhe comida e bebida.

Mais tarde, Abel faz uma pergunta sobre o colar de Runi, mas Kua-Ko lhe responde que somente seu pai sabe a origem do mesmo. Na ocasião, o nativo lhe pede para não caçar na floresta ao lado. Não conseguindo controlar sua curiosidade, na manhã seguinte Abel vai à tal floresta onde se deleita com seus pássaros exóticos, macacos e outros animais que lá vivem.

Em pouco tempo, ele se torna encantado com um som incomum que parece influenciar o comportamento dos animais que vivem na selva. Ao beber da água de uma poça, Abel se assusta ao ver a face de uma jovem refletida na água, mas ao procurá-la por perto não encontra ninguém. A saída de Abel da floresta é testemunhada por Kua-Ko que o ameaça e o leva de volta à aldeia. Lá, ele diz ao pai que ficou impressionado com a coragem de Abel em sua aventura pela floresta, uma vez que, os nativos acreditam que a mesma é possuída pelo espírito de um pássaro por eles chamado de Filha de Didi. Depois que Runi se dirige finalmente a Abel, Kua-Ko traduz informando-o que seu irmão mais velho foi morto pelo espírito do pássaro, enquanto ele, Abel, havia sobrevivido, razão pela qual Runi passou a considerá-lo como um novo filho que os salvara do espírito do mal.

Abel concorda em voltar à floresta a fim de enfrentar o espírito do mal e, ao chegar lá, encontra Rima, uma belíssima jovem, entre as árvores. Logo depois que ele lhe diz que ela está em perigo por conta das ameaças dos nativos, ele é mordido por uma cobra coral e desmaia. Ao abrir os olhos dois dias depois, ele nota que se encontra em uma pequena cabana ao lado de um idoso que se apresenta como sendo Nuflo, avô de Rima. Este lhe diz que Rima salvou sua vida e descarta o aviso de Abel em relação aos nativos. Depois de se sentir quase totalmente recuperado, Abel acompanha Rima numa longa caminhada pela floresta e toma conhecimento que ela vive com o avô desde sua infância, quando sua mãe morreu. Por outro lado, ela lhe pergunta sobre o pai dele, de quem ele havia falado enquanto delirava. Ela admite que se sentiu assustada quando ele ficou muito agitado ao falar da morte do pai e explica que acredita que sua mãe está sempre com ela.

Nos dias que se seguem, Abel continua a se recuperar, período em que ele passa a maior parte do tempo com Rima, cada vez mais se encantando com a habilidade que ela possui para se comunicar com todos os animais. Rima mostra-lhe uma flor branca, perfeita, de indescritível beleza, por ela chamada de “Hata Flower”. Segundo a jovem, só existe uma única “Hata” em todo o mundo. Ela aparece em um lugar, floresce por um breve período e desaparece quando a lua se põe, para reaparecer em outro lugar quando de uma nova lua. Quando Abel lhe diz que essa história é apenas uma lenda, Rima fica triste por ele não acreditar em suas palavras.

Certa noite, depois de tocar e cantar uma música, Abel vê Rima segurando uma pedra de ouro, que lhe explica ter sido um presente que seu avô lhe deu. Suspeitando que as constantes ausências de Nuflo estejam conectadas com o ouro que ele está à procura, o jovem o segue para descobrir que ele está apenas assando um animal para ser servido como refeição. Nuflo admite estar apenas poupando a sensível Rima. Abel insiste e lhe pergunta sobre o ouro, mas o senhor lhe assegura que não há nenhum ouro.

Pouco depois, Abel se encontra com Rima ao pé de uma enorme árvore, ocasião em que ela lhe confidencia que a conversa dele sobre seu pai, despertou-lhe lembranças de seu passado que há muito anseia por compreender. Quando os dois vão a umas montanhas próximas, Abel aponta para uma área conhecida como Riolama, fazendo com que Rima se lembre de que se trata do local onde viveu com sua mãe até os quatro anos. Furiosa porque Nuflo lhe escondeu a proximidade da terra onde ela nascera, Rima reclama de seu avô e exige que ele a leve até lá. Aflito, Nuflo acusa Abel de estar destruindo a felicidade de Rima em relação à sua vida na floresta.

Estando completamente recuperado, Abel volta à aldeia onde admite que não conseguiu matar Rima porque ela havia salvado sua vida. Runi e Kua-Ko não acreditam nele e o chamam de covarde. Kua-Ko declara que ele mesmo vai matá-la. Abel é preso enquanto o guerreiro se submete a um ritual de tortura a fim de demonstrar sua capacidade para liderar os nativos da aldeia. De madrugada, logo após os nativos partirem para a floresta, Abel consegue se livrar das cordas que o prendiam a um poste e parte, debaixo de uma tempestade, para se encontrar com Rima e seu avô.

Ao encontrá-los, ele lhes diz que precisam partir imediatamente para Riolama, a fim de se livrarem de Kua-Ko e seus homens. Depois de ultrapassarem vários obstáculos, os três chegam bem próximos a Riolama, quando Nuflo insiste em que se acha perdido, a despeito de Rima reconhecer uma caverna que se acha a poucos metros de onde se encontram. Enquanto ela vai até lá, Nuflo confessa para Abel que conhecia Riolama, mas que não podia voltar lá porque, há muito tempo atrás, ele fez parte de uma quadrilha que roubava ouro da aldeia. Ele continua dizendo que o resto da quadrilha matou e destruiu Riolama enquanto ele conseguiu fugir. Nuflo diz ainda que, naquela ocasião, encontrara uma mulher ferida com Rima, uma garotinha de apenas quatro anos. Antes de a mulher morrer, ele lhe prometera cuidar da garotinha. Tendo ouvido por acaso parte da confissão, Rima repreende asperamente o “avô” e foge em seguida. Abel a segue e a encontra inconsolável com as lembranças de uma Riolama, agora deserta e abandonada.

Mais tarde, quando Rima admite que sua raiva de Nuflo já desapareceu, Abel percebe que também não sente mais aquela necessidade de vingança. Nesse meio tempo, atormentado pelas acusações de Rima, Nuflo volta à cabana da floresta onde desenterra os sacos com o ouro de Riolama, mas é apanhado por Kua-Ko e seus guerreiros que o matam e incendeiam sua cabana. Voltando a procurar Nuflo, Abel e Rima se separam, sendo ela descoberta pelos nativos em cima de uma grande árvore, a qual é deixada em chamas.

Logo depois, Abel encontra-se com Kua-Ko que triunfantemente lhe informa que Rima se acha morta. Furioso, Abel o ataca e o afoga em um pequeno lago. Em seguida, vai até a árvore queimada onde, tomado pela dor, desmaia. Entretanto, ao ouvir a voz de Rima, ele recupera os sentidos e, ao encontrar uma “Hata Flower”, lembra-se da crença de Rima numa vida eterna. À distância, ele vê uma luz circundando a figura da bela jovem e parte em sua direção para se juntar a ela.

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Comentários

Baseado num livro do escritor William Henry Hudson, “A Flor Que Não Morreu” é um filme razoável, do qual esperava muito mais pelas presenças de Audrey Hepburn e Anthony Perkins encabeçando o elenco. Entretanto, à medida que a trama se desenvolvia, fui percebendo que esses dois grandes atores não deveriam ter sido indicados para os seus respectivos papéis, uma vez que a história estava mais para um filme de Tarzan dos anos 30/40. Senti até saudades dos também queridos Johnny Weissmuller e Maureen O'Sullivan.

Por outro lado, embora nunca tenha sido premiado em qualquer Festival ou Academia de Cinema, José Ferrer sempre foi considerado um ótimo ator, tendo em seu currículo mais de cem filmes em que participou como tal. Entretanto, como diretor, só realizou dois filmes, além de alguns episódios para a televisão, não se destacando em nenhum deles. Acredito, por outro lado, que a presença de Audrey Hepburn, no papel de Rima, tenha sido resultado de alguma exigência feita por ele já que, na época, eles eram marido e mulher na vida real.

O roteiro de Dorothy Kingsley apresenta alguns altos e baixos, o que também prejudica o resultado final. Quanto à trilha sonora, a cargo de Bronislau Kaper, ela é muito boa. Entretanto, sobre o assunto deve ser dito o seguinte:  Originalmente, o grande compositor brasileiro Heitor Villa-Lobos tinha sido o escolhido para compor a trilha sonora do filme. Sua música, entretanto, foi inspirada no romance original e não em sua adaptação para o cinema. Tal fato fez com que Kaper fosse indicado para adaptar o material composto por Villa-Lobos, completando a trilha com música e arranjos adicionais seus e de Sidney Cutner. Descontente, Villa-Lobos transformou sua trilha em uma cantata, “Floresta Amazônica”.

CAA